Alianças do PL e PT no Amazonas desafiam orientação nacional do partido de Bolsonaro

Alianças regionais do PL e PT no Amazonas contrariam orientação nacional do partido de Bolsonaro.
Redação O Poder
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou um vídeo nesta sexta-feira (2) ao lado do deputado federal Zucco (PL-RS), condenando as alianças entre seu partido e legendas de esquerda em alguns municípios para as eleições deste ano. Bolsonaro afirmou que essas coligações contrariam os princípios do grupo político e devem ser desfeitas. Segundo ele, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, não tem responsabilidade sobre essas alianças, pois o acordo inicial foi respeitado.

“Quero dizer a vocês que, já acertado, como lá atrás, estamos fazendo cumprir agora que essas coligações têm que deixar de existir. O que é mais grave? Mesmo deixando de existir, fica essa mácula dessas pessoas que estavam pensando apenas nelas para chegar ao poder e que se exploda o resto”, disse Bolsonaro. Ele alertou que, onde não for possível desfazer essas coligações, apoiará candidatos adversários.

O PL Mulher, ala do partido comandada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, também proibiu qualquer tipo de aliança com legendas de esquerda. Michelle anunciou um canal oficial para receber denúncias de coligações entre as duas legendas, destacando que não querem que o Brasil siga o mesmo destino da Venezuela, com partidos brasileiros favoráveis a regimes ditatoriais.

Contraposições no Amazonas

Apesar da decisão nacional, no Amazonas, o PL tem adotado uma postura diferente. Em Parintins, o PL integra o arco de aliança do pré-candidato à Prefeitura, Mateus Assayag (PSD), junto com partidos tradicionalmente de esquerda, como o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o MDB de Eduardo Braga e o próprio PSD de Omar Aziz. Esta união deve ser oficialmente confirmada neste domingo (4) durante a convenção no Terreno Planeta Boi, na ilha Tupinambarana.

Contradições internas

Em entrevista ao Foco no Fato, o pré-candidato do PL a prefeito de Manaus, Capitão Alberto Neto, afirmou que “onde o PT estiver, o PL tem que estar do outro lado”. Contudo, Parintins desafia essa declaração, já que o próprio Alberto Neto gravou um vídeo apoiando Mateus Assayag, que está alinhado com o PT. Alberto Neto explicou que “pela direção nacional, o PL e o PT não podem se juntar”, mas a convenção de Mateus Assayag demonstra uma aproximação diferente do que o PL em Manaus apresenta, evidenciando uma postura ambígua entre a capital e o interior.

Significância de Parintins

Parintins, com o segundo maior colégio eleitoral do Amazonas, é um cenário significativo. Além de Parintins, o PL está se aliando com o PT em outros municípios do estado, como Itacoatiara e Tabatinga.

A decisão nacional do Partido Liberal, reiterada por Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, proíbe alianças com partidos de esquerda, buscando manter a integridade ideológica do partido. No entanto, as alianças locais no Amazonas, especialmente em Parintins, apresentam contradição.

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