Governador Wilson Lima chama de ‘ruim’ declaração de ministro Alckmin que ataca Zona Franca de Manaus

Governador do Amazonas critica declaração de ministro sobre extinção do IPI na Zona Franca de Manaus.
Redação O Poder
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MANAUS | AM

O governador Wilson Lima (União Brasil) chamou, nesta quarta-feira, 18, de “ruim” a declaração do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, sobre o governo federal extinguir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no País, que afeta diretamente as empresas da Zona Franca de Manaus (ZFM). Lima defendeu que o modelo, além de ser eficaz economicamente, beneficia social e ambientalmente o Estado.

“Essa declaração dele é muito ruim para o Estado do Amazonas e eu fico me perguntando porque os caras tentam, o tempo todo, fazer isso com a Zona Franca de Manaus. Ou desconhecem a realidade e a importância que a ZFM tem para o desenvolvimento regional ou fazem isso por pura maldade para atacar e destruir o modelo, que é um dos mais eficazes de desenvolvimento econômico, social e proteção da Floresta Amazônica”, comentou Wilson Lima, durante um evento, em Manaus, sobre o Passe Livre Estudantil 2023.

Ainda segundo o governador, acabar com o modelo econômico, significa no fim, também, da Zona Franca de Manaus. “Estou muito preocupado com isso, porque há muita retórica e pouco discurso. Por um lado, se diz que vai proteger a Zona Franca de Manaus, mas quando se fala na extinção do IPI, está se ferindo de morte a ZFM. Nesse cesto de incentivos que garantem a diferenciação das empresas, o IPI é o principal imposto e se a gente não tiver esse incentivo aqui, a ZFM acaba”, declarou.

Wilson Lima lembrou que o Amazonas está em constante diálogo com o governo federal e que o vice-presidente garantiu que não iria tomar nenhuma decisão sobre a ZFM sem antes conversar com o Estado. “Em um primeiro momento, tive a oportunidade de ter uma rápida conversa com o Alckimin e nós temos uma equipe que monitora isso. Num primeiro momento, ele me garantiu que não iria tomar nenhuma decisão sem que antes conversasse com o Estado do Amazonas”, destacou Lima, que esteve com a equipe do governo federal na semana passada, após os ataques aos Três Poderes em Brasília.

Justiça

Apesar de defender o diálogo, o governador afirmou que irá procurar a Justiça, caso a competitividade da Zona Franca de Manaus não seja garantida. “Se a gente não conseguir avançar nessas conversas, não tenham dúvidas de que irei a Justiça para garantir os direitos e a competividade, sobretudo, manter os empregos que são gerados na ZFM”, reforçou Wilson Lima.

Já o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), destacou também que o Amazonas buscará o cumprimento da Constituição em garantir a manutenção dos incentivos fiscais e a continuidade do Polo Industrial de Manaus.

“Quero hipotecar total e irrestrito apoio aqui ao posicionamento do governador Wilson Lima. Buscar o diálogo e caso não encontre no diálogo a solução, nós vamos buscar o cumprimento da Constituição, na Cláusula Pétrea, que é a manutenção dos incentivos e a competividade do Polo Industrial de Manaus com relação à Zona Franca”, frisou David Almeida.

Entenda

Na segunda-feira, 26, o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin disse que o governo federal vai priorizar uma reforma tributária e que, dentro da ação, estará a proposta de por fim ao IPI. Para Alckmin, a reforça “pode fazer o Produto Interno Bruto (PIB) crescer e trazer eficiência à indústria”. “A próxima meta do governo é acabar com o IPI. E acabar com o IPI vem com a reforma tributária. Sabemos que tudo que é PEC, que demanda mudança constitucional, deve-se fazer no primeiro ano, para aproveitar a legitimidade do processo eleitoral e avançar rápido”, afirmou Alckmin.

A declaração pegou a indústria amazonense de surpresa. Representantes da categoria chegaram a solicitar uma audiência com o ministro. O pedido foi da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).

 

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