O vereador Rodrigo Guedes (PP) usou a tribuna da Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta segunda-feira (14), para denunciar o que chamou de “milícia digital” financiada com recursos públicos pela Prefeitura de Manaus. Ele se referiu à suposta contratação de 165 portais e blogs para prestação de serviços de divulgação institucional, revelada por uma matéria do portal Real Time1 na última sexta-feira.
De acordo com Guedes, muitos desses sites são desconhecidos da população e alguns sequer têm perfis ativos nas redes sociais. “Tem ali blogs e portais sérios, mas, tranquilamente, uns 100 deles, ninguém nunca ouviu falar. Tem portal com 2 mil seguidores que recebeu R$ 377 mil. É uma grande caixa preta”, disse o parlamentar.
O vereador ainda afirmou que há censura e intimidação por parte da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) contra os veículos que publicam conteúdos críticos à gestão do prefeito David Almeida (Avante). “Eles mandam apagar matérias, pressionam jornalistas e portais que recebem da Prefeitura. Alguns se recusam, mas muitos aceitam e viram artilharia para atacar quem ousa cobrar”, declarou.
Rodrigo Guedes ressaltou que o financiamento público desses sites pode estar sendo utilizado como uma forma de controle da imprensa local. “Essa indústria de blogs e portais em Manaus não tem igual em nenhum outro lugar do Brasil. Alguns sites atacam para depois negociar. É um mecanismo para calar e manipular”, denunciou.
O parlamentar questionou ainda os critérios utilizados pela Prefeitura para definir os contratos de mídia e pediu a divulgação oficial da lista de veículos pagos com dinheiro público. “Queremos saber quem são, quanto recebem e quais os critérios. Isso é um direito da população”, cobrou.
Segundo Guedes, cerca de R$ 800 milhões já teriam sido gastos com publicidade institucional durante a gestão do prefeito David Almeida. “Boa parte desse valor foi para portais. A gente vê sites que cobravam, faziam denúncias e, de repente, tudo some, até os links. Depois, começam a defender a Prefeitura e atacar quem cobra”, concluiu.
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