Moraes manteve prisão de manifestantes mesmo após MPF se manifestar contrário

Relatório da Defensoria Pública aponta que ministro do STF manteve prisão de bolsonaristas mesmo após MPF se manifestar contrário.
Redação O Poder
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve a prisão de bolsonaristas investigados pelos atos de vandalismo em 8 de janeiro, em Brasília, mesmo após o Ministério Público Federal (MPF) se manifestar contrário, segundo apontou um relatório da Defensoria Pública da União (DPU) e do Distrito Federal (DPDF).

O levantamento foi publicado na segunda-feira, 23, e obtido pelo Site O PODER (confira abaixo*). Ao menos seis pessoas envolvidas nos atos contra os Três Poderes continuaram presas. De acordo o documento, a Lei nº 13.964/2019 veda a decretação da prisão preventiva ou a imposição de medidas cautelares diversas da prisão, sem o prévio requerimento do Ministério Público.

“Nas audiências de custódias realizadas no decorrer dos dias 10/01/2023 a 15/01/2023, a Defensoria Pública da União elaborou sistema de registro com as audiências em que o Ministério Público Federal se manifestou pela concessão da liberdade provisória, com ou sem aplicação de medidas cautelares diversas da prisão”, diz trecho do relatório das Defensorias.

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Documento diz que o MPF se manifestou pela concessão a liberdade provisória

Para s Defensorias, a partir do momento em que o órgão acusatório requer a liberdade da pessoa custodiada, a medida deve ser seguida. O relatório se baseia em uma decisão do próprio STF que, em 2020, no julgamento do Habeas Corpus nº 188.888/MG, reconheceu a impossibilidade jurídica de o magistrado decretar prisão de ofício, ou seja, sem o pedido do órgão acusatório.

“Portanto, resta evidente que, com a delegação parcial dos poderes para a realização da audiência de custódia por partes dos juízes de primeira instância, as prisões que se perpetuam, mesmo com pedido do órgão acusatório pela soltura, estão em confronto com o ordenamento jurídico brasileiro”, defende outro trecho do relatório.

Relatório diz que prisões estão em confronto com o ordenamento jurídico brasileiro (Fonte: DPU e DPDF)

 

Para o STF, segundo a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, o entendimento que prevaleceu é o de que o MPF dá o parecer, mas a decisão é do magistrado. Ao ignorar manter a prisão dos investigados, Alexandre de Moraes considerou as condutas graves que envolvidos que tinham objetivo coagir e impedir a liberdade dos poderes.

Confira o relatório da Defensoria na íntegra: Relatório DPU e DPDF – 8 de janeiro

 

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