STF publica decisão que condena Bolsonaro por tentativa de golpe e abre prazo para recursos

Supremo Tribunal Federal publica decisão que condena Bolsonaro por tentativa de golpe e abre prazo para recursos.
Redação O Poder
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O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou, nesta quarta-feira (22), o acórdão da Primeira Turma que confirma a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de sete aliados por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.

A decisão, com quase 2 mil páginas, foi oficialmente divulgada no Diário da Justiça, marcando o início do prazo de cinco dias para que as defesas apresentem recursos.

Defesa tem cinco dias para recorrer

Com a publicação, os advogados dos réus poderão protocolar embargos de declaração, recurso utilizado para solicitar esclarecimentos sobre omissões, contradições ou dúvidas no texto do julgamento.

Embora esse tipo de recurso dificilmente altere o resultado, ele pode gerar ajustes pontuais nas penas aplicadas. Além disso, as defesas devem tentar ingressar com embargos infringentes, que só são aceitos quando há dois votos pela absolvição — condição que não se aplica à maioria dos casos, já que apenas o ministro Luiz Fux votou pela absolvição de seis dos oito condenados, incluindo Bolsonaro.

Relator pode decidir monocraticamente

O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, poderá decidir individualmente sobre alguns recursos ou remetê-los novamente à Primeira Turma. Antes de qualquer decisão, o relator também pode solicitar parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Nos bastidores do STF, a expectativa é que o caso seja encerrado até o fim de 2025. Até lá, nenhuma das penas será executada, pois a prisão só ocorre após o esgotamento de todos os recursos possíveis.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão

O ex-presidente recebeu a maior pena do grupo: 27 anos e três meses de prisão. Segundo o STF, Bolsonaro exerceu papel de liderança em uma estrutura criminosa que tentou manter o poder por meios ilegais.

De acordo com a decisão, o grupo:

  • buscou desacreditar as urnas eletrônicas;
  • pressionou militares a aderirem à ruptura institucional;
  • usou a máquina pública contra opositores;
  • espalhou desinformação e espionou autoridades;
  • e planejou prisões e atentados contra membros dos Três Poderes.

Essas ações, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Corte, culminaram nos ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

Condenados no mesmo processo

Além de Jair Bolsonaro, foram condenados:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.

O ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que fez delação premiada, teve a pena de dois anos em regime fechado mantida. A PGR já informou que não recorrerá da sentença.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar

Desde 4 de agosto de 2025, o ex-presidente está em prisão domiciliar, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, em outro inquérito que apura interferência de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nas investigações sobre o golpe. Moraes justificou a medida com base em indícios de risco de fuga do ex-chefe do Executivo.

Expectativa de desfecho até o fim do ano

Com o prazo para recursos já aberto, a previsão é que a análise final do processo ocorra ainda em 2025, encerrando uma das etapas mais emblemáticas das investigações sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro.

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