Coronel Rosses divulga relatório do TCE e afirma que Sou Manaus teve aumento de 1.156% nos custos

De acordo com Rosses, a Prefeitura teria informado gastos de R$ 25 milhões com o evento, além de R$ 9 milhões em patrocínios, ultrapassando o valor inicialmente previsto em lei, que seria de R$ 24 milhões
Redação O Poder
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A Câmara Municipal de Manaus voltou a ser palco de tensão política nesta semana, após novas declarações envolvendo o prefeito David Almeida e o festival Sou Manaus ampliarem o embate entre base governista e oposição. Enquanto aliados sustentam que não há irregularidades comprovadas na gestão municipal, parlamentares oposicionistas falam em possível afronta às instituições e cobram mais transparência na aplicação dos recursos públicos.

O debate ganhou novo fôlego após o vereador Coronel Rosses afirmar, em entrevista exclusiva ao site O Poder, que teve acesso a um relatório recente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas, por meio do Ministério Público de Contas, apontando que os custos do festival Sou Manaus teriam aumentado 1.156% desde a primeira edição até o evento realizado em 2025.

Segundo o parlamentar, o documento — com seis páginas — analisa as denúncias apresentadas por ele à Corte de Contas. De acordo com Rosses, a Prefeitura teria informado gastos de R$ 25 milhões com o evento, além de R$ 9 milhões em patrocínios, ultrapassando o valor inicialmente previsto em lei, que seria de R$ 24 milhões. O vereador também questiona a ausência de detalhamento público sobre os cachês de artistas nacionais contratados, alegando que a justificativa de pagamento por meio de agências patrocinadoras não teria sido acolhida pelo órgão técnico.

Ainda conforme o relato do vereador, o parecer aponta que a justificativa apresentada pelo Executivo foi considerada “antieconômica”, ultrapassando limites de razoabilidade e demonstrando desproporcionalidade em comparação com despesas prioritárias como saúde, educação e infraestrutura. O relatório também destacaria a falta de comprovação técnica para o aumento expressivo dos valores investidos no festival ao longo dos anos.

Outro ponto citado por Rosses é a suposta deficiência na alimentação do Portal da Transparência do município. Segundo ele, o Ministério Público de Contas teria identificado um “apagão informativo”, classificando a situação como possível violação à ordem jurídica e recomendando a abertura de processo de tomada de contas especial — procedimento destinado a apurar responsabilidades e eventual ressarcimento ao erário.

O vereador afirmou ainda que já houve protocolo de pedido de impeachment do prefeito, mas que o tema não teria avançado para debate em plenário. Sobre habeas corpus mencionados no contexto das investigações, declarou que “quem não deve não teme” e que eventuais medidas judiciais antecipadas indicariam receio por parte dos envolvidos.

Rosses disse não ser contrário a investimentos na cultura, mas defendeu que eventos festivos devem observar critérios de razoabilidade fiscal diante das demandas estruturais da cidade. Ele não descartou a possibilidade de solicitar o cancelamento de futuras edições do festival até que haja, segundo suas palavras, maior clareza sobre os gastos.

Até o momento, a Prefeitura de Manaus não se manifestou oficialmente sobre os pontos levantados na entrevista. O espaço segue aberto para posicionamento do Executivo municipal.

O caso deve continuar repercutindo nos próximos dias e pode ampliar o desgaste político entre situação e oposição na capital amazonense, especialmente diante da proximidade do calendário eleitoral e do ambiente já polarizado na política local.

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