Tadeu de Souza eleva tom contra David Almeida: ‘União seria desonra’

Em declaração contundente, vice-governador afirma que sua ética pessoal o impediu de manter aliança com o prefeito de Manaus e critica uso da máquina pública para fins individuais
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Em uma das declarações mais contundentes de sua trajetória política recente, o vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza (Avante), oficializou e detalhou os motivos do seu rompimento com o prefeito de Manaus, David Almeida. Para Tadeu, a separação não foi apenas estratégica, mas de caráter moral: ele acusa o antigo aliado de priorizar um “projeto pessoal” em detrimento do interesse público.

A declaração foi feita na manhã desta sexta-feira (20/03) para a Rádio Difusora do Amazonas. Ao ser questionado sobre a sua relação com David após a saída do Avante, partido da base do prefeito, o vice-governador, conhecido pelo perfil técnico e reservado, elevou o tom ao explicar que a manutenção da aliança feriria seus princípios fundamentais.

“Seria me desonrar como cidadão, como pai, como homem”, disparou, ao comentar a tentativa de uso da estrutura governamental para fins individuais.

Gestão institucional vs. projeto pessoal

A crítica central de Tadeu de Souza reside na natureza da ocupação de cargos eletivos. Servidor público de carreira e Procurador do Estado, Tadeu afirmou que sua política é “ancorada no interesse público” e que houve uma dissociação clara entre sua visão de estado e a condução política do prefeito.

“Jamais eu poderia, até pela minha formação, me deixar levar para um projeto político de interesse pessoal e individual, distanciado da população”, afirmou o vice-governador.

Segundo Tadeu, o rompimento de fato ocorreu quando ficou claro que a “caneta de governador” e a cadeira que ocupa poderiam ser instrumentalizadas para potencializar ambições que não contemplavam as necessidades coletivas do Amazonas.

O peso da história e a honra pessoal

Para analistas políticos, a fala de Tadeu tenta isolar o prefeito David Almeida como um gestor focado em si mesmo, enquanto posiciona o grupo do governador Wilson Lima como o guardião da institucionalidade.

“Seria me apequenar diante da história deixar algum interesse pessoal utilizar a cadeira de governador para potencializar projeto político pessoal”, reforçou.

Implicações para 2026

A ruptura definitiva e o tom utilizado por Tadeu de Souza redesenham o tabuleiro para as próximas eleições. Ao se colocar como um anteparo a “projetos individuais”, o vice-governador fortalece seu discurso de pré-candidato focado em gestão técnica e resultados, distanciando-se do que chama de “política pessoal”.

Veja o trecho da entrevista:

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