O cenário político para a sucessão estadual no Amazonas em 2026 começa a ganhar contornos definidos, e uma das movimentações mais comentadas nos bastidores do PSD e de seus aliados é a composição da chapa encabeçada pelo senador Omar Aziz. A diretriz interna é de que Omar busca uma vice mulher para ancorar a pauta feminina e de proteção social como um dos pilares centrais de sua campanha. Nesse contexto, o nome da deputada estadual Alessandra Campelo ganha musculatura.
Alessandra Campelo não é uma novata no tabuleiro. Seu histórico une a vivência no Legislativo (em seu terceiro mandato na ALEAM) com a experiência no Executivo, onde comandou a Secretaria de Estado de Assistência Social (SEAS). Como presidente da Comissão da Mulher na Casa Legislativa, Alessandra tornou-se a voz mais ativa no combate ao feminicídio e na defesa dos direitos das mulheres no Estado. Para Omar, ter Alessandra ao lado significa “territorializar” o discurso de proteção à família e à mulher, alcançando um eleitorado onde o senador busca ampliar sua aceitação.
Campelo possui uma base sólida em Manaus e uma presença constante no interior, o que compensaria a imagem mais “macropolítica” de Omar. Um dos pontos mais interessantes é o posicionamento ideológico de Alessandra. Embora sua origem política esteja ligada a movimentos de base, a deputada desenvolveu uma habilidade ímpar de transitar entre espectros: Alessandra não é uma política de esquerda radical. Pelo contrário, ela navega com facilidade por setores conservadores, defendendo pautas de segurança pública e mantendo uma interlocução respeitosa com o eleitorado de direita.
Em um estado onde o “bolsonarismo” ainda é forte, ela atua como uma ponte. Ela consegue falar com o público feminino conservador sem perder a conexão com as pautas sociais. Para Omar Aziz, que frequentemente enfrenta resistência da direita mais dura, Alessandra seria o “amortecedor” ideal para suavizar arestas.
A escolha de Alessandra Campelo como vice seria uma jogada de consolidação. Ela entrega a Omar Aziz o que ele mais precisa para 2026: humanização da imagem e capilaridade social. Se a eleição for decidida na base da “pauta de proteção à mulher”, dificilmente o grupo encontrará um nome com maior entrega técnica e política do que o da deputada.
Análise: O xadrez dos possíveis vices
Apesar do favoritismo de Alessandra, o grupo de Omar Aziz monitora outros nomes para garantir a competitividade da chapa. Embora a preferência inicial seja por uma mulher, o pragmatismo político pode levar Omar a escolher um vice que garanta a “vitória no primeiro turno” através de estrutura e tempo de TV:
• Roberto Cidade (União Brasil): É, talvez, o nome masculino mais forte nos bastidores. Atual presidente da ALEAM, Cidade detém o controle de uma enorme base de prefeitos no interior e uma relação sólida com os deputados estaduais. Uma chapa Omar-Cidade seria considerada um “trator” eleitoral, unindo o prestígio do Senado à capilaridade da Assembleia.
• Tadeu de Souza (PP): Atualmente vice-governador, Tadeu é um quadro técnico respeitado. Se houver um realinhamento entre o grupo de Wilson Lima e Omar Aziz (o que exigiria uma grande costura política), Tadeu seria o nome natural para garantir a continuidade de projetos estaduais e a estabilidade da transição.
• Um nome do MDB (Eduardo Braga): A aliança histórica entre Omar e Braga pode render uma indicação direta do MDB para a vice. Isso consolidaria a união das maiores máquinas partidárias do estado, embora ambos os líderes costumem preferir encabeçar chapas ou garantir vagas no Senado.