O ex-deputado federal Cabo Daciolo (Solidariedade) cumpre agenda no estado do Amazonas e, neste domingo, utilizou suas redes sociais para denunciar o estado de abandono da BR-319, rodovia vital para a integração do Norte com o restante do país. Em um vídeo gravado diretamente de um trecho de terra batida, Daciolo criticou a falta de infraestrutura e o isolamento de municípios do interior.
“Lama Pura” e Isolamento Proposital
Durante a vistoria, Daciolo destacou o impacto das chuvas na trafegabilidade da região. Segundo ele, pequenas intervenções poderiam resolver problemas históricos, mas o descaso parece ser uma escolha política.
“Qualquer chuva aqui para tudo, obstáculo total. Como é que você vai escoar a produção do nosso país? […] Lama pura. Qualquer chuvinha aqui, esquece, não passa nada”, desabafou o político.
Daciolo apontou especificamente a situação de Manicoré, município que, segundo ele, está isolado da rodovia principal devido à ausência de uma estrutura simples. “Esse município está isolado da 319 por causa de uma pontezinha pequena que não estão fazendo de forma proposital”, acusou, estendendo a crítica à sucessão de governos: “Sai político e entra político e é a mesma coisa. É o mesmo cenário o tempo todo. Não temos a manutenção da via.”
O Laboratório Político no Norte
A presença de Daciolo no estado, iniciada oficialmente na última quinta-feira (19/03), transcende a mera fiscalização de obras. Sob a legenda do Solidariedade, o ex-parlamentar participa de uma intensa agenda de filiações partidárias, buscando enraizar sua imagem em um reduto estratégico: o Norte brasileiro.
Especialistas em política local enxergam a movimentação como uma “territorialização”. Para o analista Luiz Carlos Marques, o Amazonas deixou de ser um palanque de passagem para se tornar um laboratório de viabilidade eleitoral.
“Daciolo opera na lógica da ocupação de vácuo. Ao não se ancorar exclusivamente à disputa presidencial e admitir voos para o Senado ou o Governo do Estado, ele permite que teste o terreno sem o desgaste de uma rejeição antecipada”, destaca Marques.
Flexibilidade para 2026
Diferente das pré-candidaturas tradicionais, que costumam ser rígidas, Daciolo adota o que analistas chamam de ambiguidade estratégica. Ao percorrer o interior e ouvir as demandas sobre logística e infraestrutura, ele se apresenta como uma alternativa latente diante da fragmentação das oligarquias regionais, aguardando a cristalização do cenário político para definir seu papel nas eleições de 2026.