A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro consolidou-se como a principal força de articulação feminina dentro do Partido Liberal (PL) para o pleito de 2026. Atuando como presidente do PL Mulher, Michelle trabalha para eleger uma bancada de aliadas diretas, ao mesmo tempo em que prepara sua própria candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.
O movimento ocorre em um momento delicado: a ex-primeira-dama reduziu funções partidárias para acompanhar a rotina de Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime de prisão após condenação por tentativa de golpe de Estado. Apesar do cenário, sua influência sobre as decisões de Valdemar Costa Neto e sobre o próprio marido permanece decisiva.
O “Fator Maria do Carmo” no Amazonas
Um dos pontos centrais da estratégia de Michelle é o fortalecimento de lideranças femininas no Norte. No Amazonas, a aposta da ex-primeira-dama é a Professora Maria do Carmo. Após disputar o cargo de vice-prefeita em 2024, Maria do Carmo surge agora, com as bençãos de Michelle e anotações de Flávio Bolsonaro, como o principal nome para a disputa ao Governo do Estado.
Queda de braço interna e vitórias políticas
Michelle tem demonstrado força em embates internos contra a cúpula do partido. Um exemplo recente foi a confirmação da candidatura de Caroline De Toni ao Senado. Embora o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, tivesse sinalizado a exclusão de De Toni em favor de nomes como Esperidião Amin, a intervenção direta de Michelle — que publicou fotos de apoio à deputada — reverteu o cenário após Bolsonaro manifestar preferência pela aliada da esposa.
A lista de apostas de Michelle para o Senado e Governos inclui:
• Distrito Federal: Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (Senado); Celina Leão (Governo).
• Santa Catarina: Caroline De Toni (Senado).
• Ceará: Priscila Costa (Senado – em articulação).
• São Paulo: Rosana Valle (Senado – disputando espaço com o grupo de Eduardo Bolsonaro).
Crises Internas: O distanciamento de Flávio Bolsonaro
Nem toda a articulação de Michelle, porém, ocorre sem resistência. Integrantes do PL criticam a ex-primeira-dama por uma suposta “falta de empenho” na campanha de Flávio Bolsonaro, escolhido pelo pai para disputar a Presidência da República.
Interlocutores tentam minimizar o atrito, afirmando que Michelle entrará na campanha “no tempo certo”. No entanto, o foco da ex-primeira-dama parece estar voltado à construção de um capital político próprio e de um grupo de parlamentares que respondam diretamente à sua liderança, independentemente das alas lideradas pelos filhos do ex-presidente.
Futuro “nas mãos de Deus”
Apesar do planejamento agressivo para ocupar vagas no Senado, Michelle mantém um discurso cauteloso sobre o próprio futuro, condicionando sua candidatura à saúde de Jair Bolsonaro e à evolução do cenário jurídico do marido. “Meu futuro político está nas mãos de Deus”, tem repetido a aliados.
Enquanto isso, o PL intensifica o cerco a adversários regionais, como no Distrito Federal, onde o partido rompeu com o governador Ibaneis Rocha e propôs uma CPI para investigar fraudes no Banco de Brasília (BRB), abrindo caminho para a chapa encabeçada pelas aliadas de Michelle.