O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), utilizou uma entrevista concedida nesta segunda-feira (23/03) para enviar um recado direto aos ex-aliados que deixaram sua base política recentemente. Ao ser questionado sobre os rompimentos, Almeida adotou um tom filosófico e moral para definir sua visão sobre a fidelidade no ambiente público.
“A lealdade é questão de berço, de caráter. Você quer conhecer uma pessoa? Veja como ela lhe trata depois que ela não precisa mais de você. Somente isso”, disparou o prefeito.
A declaração ocorre em um momento de isolamento parcial do grupo político do prefeito, que viu nomes de confiança migrarem para outros projetos. Almeida buscou se posicionar como alguém que não guarda rancores, apesar das críticas recebidas.
“Sou um cara muito tranquilo. O que eu faço, não espero retorno. Se vier o retorno, estou feliz, alegre e satisfeito. Peço que Deus abençoe até os meus inimigos; eu oro pelos meus inimigos”, completou.
O racha com Tadeu de Souza
O alvo implícito mais evidente das críticas é o vice-governador Tadeu de Souza (PSB). Até pouco tempo, Tadeu era considerado o braço direito e amigo pessoal de David Almeida, tendo sido indicado por ele para compor a chapa de Helder Barbalho (MDB) em uma aliança que agora parece irreconciliável.
Na semana passada, em entrevista ao portal O Poder, Tadeu de Souza justificou sua saída do grupo de Almeida de forma contundente. Segundo o vice-governador, o distanciamento ocorreu porque o prefeito de Manaus estaria priorizando “interesses particulares” na condução de suas articulações para o Estado, em detrimento de um projeto coletivo de desenvolvimento regional.
“União seria desonra”, disse o vice-governador na ocasião.
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Além de Tadeu, outros políticos locais têm reforçado críticas à gestão municipal, focando na falta de diálogo institucional. A base aliada de David Almeida na Câmara Municipal de Manaus (CMM) também enfrenta turbulências, com vereadores apontando uma “gestão fechada” que dificulta a manutenção do apoio.
A fala de David Almeida sobre “conhecer a pessoa quando ela não precisa mais de você” sinaliza que o prefeito enxerga os recentes rompimentos como atos de oportunismo político. Com a nacionalização do debate pelo PL e o fortalecimento de blocos de oposição, a “lealdade” mencionada por Almeida será o grande teste de sobrevivência de seu grupo político nos próximos meses.