‘Me desculpa’: David Almeida admite erro e expõe bastidor de ‘traição’ na eleição de 2022

O gesto do prefeito David Almeida ao admitir que “errou” na escolha do vice na chapa de Wilson Lima traz de volta à tona uma das maiores rupturas políticas recentes do estado — e ajuda a entender o isolamento atual do seu grupo
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Na manhã desta terça-feira (24/03), o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), admitiu publicamente ter cometido um erro na condução das articulações políticas durante as eleições de 2022. Durante a inauguração de um cemitério, o chefe do Executivo municipal pediu desculpas ao secretário Sabá Reis e ao ex-deputado Abdala Fraxe por não ter indicado o nome de Sabá e nem o de Shádia Fraxe, ao invés de Tadeu de Souza, como vice na chapa do governador Wilson Lima.

À época, ainda aliado de Wilson, David classificou a escolha como “a missão mais difícil da minha vida”, diante da pressão interna e das expectativas em torno da composição da chapa majoritária.

“Estou diante da decisão mais difícil da minha vida porque tenho quatro grandes amigos que posso indicar. Meu nome é David, mas estou pedindo a Deus a sabedoria que ele deu a Salomão para poder decidir da melhor maneira possível para um futuro próximo estarmos travando o bom combate na defesa do Amazonas naquilo que eu considero que será uma chapa vitoriosa com a presença do governador Wilson Lima”, disse ele na ocasião.

A origem do desgaste

Nos bastidores de 2022, havia um acordo praticamente consolidado para que Sabá Reis fosse o indicado do grupo de David para ocupar a vice na chapa de reeleição de Wilson Lima. O movimento ganhou força com a saída de Sabá do PL e sua filiação ao Avante, partido comandado pelo prefeito.

A articulação chegou a ser tratada como certa pelo ex-ministro Alfredo Nascimento, que, à época, afirmou confiar na manutenção do acordo político.

No entanto, na reta final, David recuou e optou por outro nome, frustrando aliados e abrindo uma fissura no grupo político que até então atuava de forma alinhada.

O episódio afetou diretamente o núcleo mais próximo do prefeito, formado por nomes como o vice-prefeito Marcos Rotta, Sabá Reis, a ex-secretária Shadia Fraxe e o então aliado estratégico Tadeu de Souza.

Racha com Tadeu de Souza

A crise ganhou novos contornos com o rompimento entre David Almeida e o vice-governador Tadeu de Souza, que até então era considerado um dos principais aliados e homem de confiança do prefeito.

Em declarações recentes, David adotou um discurso voltado à lealdade no ambiente político.

“A lealdade é questão de berço, de caráter. Você quer conhecer uma pessoa? Veja como ela lhe trata depois que ela não precisa mais de você”, afirmou.

Tadeu, por sua vez, respondeu em tom mais duro. Ao justificar o rompimento, afirmou que a manutenção da aliança seria “desonra” e acusou o prefeito de priorizar interesses pessoais em detrimento de um projeto coletivo para o estado.

Reflexos no cenário político

O pedido de desculpas feito por David Almeida é interpretado, nos bastidores, como um reconhecimento tardio de uma decisão que contribuiu para desarticular seu próprio grupo político.

Atualmente, o prefeito enfrenta um cenário de isolamento parcial, com aliados migrando para outros projetos e críticas à condução política da gestão municipal. Na Câmara Municipal de Manaus, vereadores também têm apontado dificuldades de diálogo com o Executivo.

Enquanto isso, o grupo político de Wilson Lima se reorganiza, e novas lideranças buscam espaço em um ambiente já marcado por antecipação do debate eleitoral de 2026.

Xadrez de 2026

A sucessão estadual começa a ganhar contornos mais definidos no Amazonas, com discursos cada vez mais polarizados e reposicionamento de atores políticos.

O episódio envolvendo a escolha do vice em 2022, agora revisitado pelo próprio prefeito, evidencia como decisões estratégicas podem ter efeitos duradouros — e influenciar diretamente o desenho das alianças futuras no estado.

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