O ex-deputado federal e ex-candidato à Presidência da República, Cabo Daciolo, anunciou nesta terça-feira (24/03) sua intenção de disputar as eleições de 2026 pelo estado do Amazonas. Em vídeo divulgado em suas redes sociais durante evento político, Daciolo confirmou que mira uma vaga no Senado Federal, mas ressaltou que a decisão final sobre concorrer ao Governo do Estado ou até mesmo à Presidência dependerá do “clamor das ruas” e de diálogos com lideranças locais.
A movimentação marca a transferência de domicílio eleitoral do político, que construiu sua base histórica no Rio de Janeiro, para a região Norte, apostando na convergência com o eleitorado conservador e religioso da Amazônia. O Poder procurou o especialista político, Luiz Carlos Marques para comentar essa movimentação.
Segundo ele, a decisão de Daciolo de trocar o Rio de Janeiro pelo Amazonas reflete uma estratégia de pragmatismo eleitoral disfarçada de missão religiosa. Ao contrário do Sudeste, onde a concorrência dentro do próprio campo conservador é “feroz”, o Norte do Brasil tem se consolidado como um reduto de valores ligados ao agronegócio, à segurança pública e a pautas religiosas — pilares do discurso de Daciolo.
“Este movimento de transplante de domicílio tem se tornado a tônica para 2026. Exemplos como o de Hélio Lopes (cotado para Roraima) e outros nomes da direita que buscam estados menores para garantir uma cadeira no Senado, mostram que o conservadorismo brasileiro está se nacionalizando de forma itinerante. Para Daciolo, o Amazonas representa a chance de reviver o fenômeno de 2018, agora com um foco regionalizado”, destacou.
A Fala de Daciolo
No anúncio, fiel ao seu estilo messiânico, Daciolo deixou claro que sua candidatura depende de uma “orientação superior”, mas que o diálogo com lideranças locais, como o partido Solidariedade, já está avançado:
“Se o Criador abrir essa porta, eu venho para o Senado, para o Governo ou para a Presidência, conforme Ele determinar. (…) É isso que eu preciso ouvir do povo.”
O Impacto no Tabuleiro Local
Ainda segundo Luiz Carlos, a entrada de um “forasteiro” com alto recall de nome mexe com os planos dos caciques locais. Nomes como Eduardo Braga e Capitão Alberto Neto, que já lideram as pesquisas para o Senado no Amazonas, agora precisam lidar com um elemento imprevisível que comunica diretamente com as bases evangélicas e militares.
“A grande questão para 2026 será entender se o eleitor amazonense aceitará um representante importado ou se a barreira do regionalismo falará mais alto que a afinidade ideológica”
Em 2018, mesmo sem estrutura, Daciolo obteve mais de 31 mil votos no Amazonas para a Presidência. Esse capital político residual é o seu ponto de partida.
O campo conservador no Amazonas está atualmente dividido entre Alberto Neto e Plínio Valério. Daciolo entra como uma terceira via, capaz de drenar votos do eleitorado evangélico que hoje se inclina por Alberto Neto, mas que busca uma retórica mais espiritualizada e menos partidária.
“Pesquisas como a da AtlasIntel e Real Time Big Data mostram que votos brancos, nulos e indecisos somam entre 15% e 20%. É nesse vácuo de descrença na política tradicional que figuras como Daciolo historicamente prosperam”, disse o especialista.
Para ele, o maior desafio de Daciolo será superar o rótulo de “candidato itinerante” em um estado com forte sentimento regionalista e problemas logísticos que exigem mais do que apenas presença digital.
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