Sob vaias, secretário de Educação de Manaus enfrenta protesto de professores em seminário

Evento da SEMED é marcado por indignação de educadores e denúncias de marketing político; sindicato aponta que salas superlotadas e falta de mediadores tornam inclusão "fictícia" na rede municipal
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O que deveria ser uma vitrine de boas práticas para a gestão municipal transformou-se em um cenário de forte desgaste político nesta quinta-feira (26/03). Durante o Seminário de Educação Inclusiva, realizado pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) no estúdio SIM, o secretário da pasta, Júnior Mar, foi alvo de vaias e protestos de professores que denunciam o abismo entre o discurso oficial e a realidade das salas de aula em Manaus.

O clima de tensão atingiu o ápice quando a professora Nelma Sampaio utilizou o espaço para expor as dificuldades do cotidiano escolar. O desabafo da docente, que sintetizou o esgotamento da categoria, foi aplaudido pelos presentes, enquanto o secretário acompanhava as críticas sob protestos.

Para o Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom Sindical), o evento possui contornos de estratégia eleitoral. Em entrevista ao portal O Poder, o coordenador jurídico da entidade, professor Lambert Melo, classificou o seminário como uma “política enganosa e superficial”.

“A realização deste seminário, com a participação do secretário e do prefeito, caracteriza uma estratégia de marketing político, especialmente em período eleitoral. Rejeitamos essa imagem idealizada da educação municipal; a realidade é de superlotação e falta de recursos”, afirmou Lambert Melo.

Superlotação e sobrecarga

De acordo com o sindicato, a política de inclusão da Semed tem falhado ao aumentar o número de alunos com e sem laudos de condições atípicas nas salas de aula sem oferecer o suporte necessário. O resultado, segundo o coordenador, é o comprometimento do desenvolvimento dos estudantes e o adoecimento dos profissionais.

“As salas de aula estão se tornando locais de acúmulo de alunos. A presença de alunos com condições atípicas deveria implicar na redução do número total de estudantes por sala, o que não está acontecendo. Isso gera uma sobrecarga que leva ao esgotamento físico e psicológico, como vimos no caso da professora Nelma Sampaio”, destacou o dirigente sindical.

O sindicato defende que uma “inclusão verdadeira” exigiria estrutura física, apoio especializado e adequação pedagógica, e não apenas eventos de ampla divulgação.

Até o fechamento desta matéria, a SEMED não havia se pronunciado oficialmente sobre as vaias e as críticas do sindicato.

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