Em uma manobra estratégica que atravessou a madrugada deste sábado (28/03), a base de apoio ao Governo Federal no Congresso Nacional conseguiu sepultar o relatório final da CPMI do INSS. O desfecho contou com o peso fundamental de senadores e deputados da região Norte, cujos votos foram o fiel da balança para rejeitar o texto do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) por 19 votos a 12.
O relatório, fruto de sete meses de investigação e com mais de 4.400 páginas, era considerado “explosivo” pela oposição. O documento não apenas detalhava um esquema bilionário de fraudes em folhas de pagamento, como pedia a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República.
O Peso do Norte na Votação
A articulação para derrubar o texto foi liderada pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que classificou as conclusões como “perseguição política”. Ao lado dele, outros parlamentares da região garantiram o placar necessário para o arquivamento:
• Senador Randolfe Rodrigues (PT-AP): Articulador direto do Planalto, barrou o avanço das acusações contra o núcleo familiar de Lula.
• Deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP): Seguiu a orientação governista, ajudando a invalidar as 4.400 páginas de provas.
• Deputada Meire Serafim (União-AC): O voto da acreana foi estratégico para consolidar a maioria contra o indiciamento das 218 pessoas listadas.
• Deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO): O parlamentar do Tocantins também se posicionou contra o relatório, selando o destino da comissão.
O resultado da CPMI do INSS consolida a bancada aliada do Norte como o principal “escudo” do Governo Lula no Legislativo. Ao votarem em bloco contra o relatório, parlamentares como Randolfe Rodrigues e Meire Serafim assumem o ônus político de blindar o filho do presidente em troca da manutenção da governabilidade e da unidade da base.
Para o eleitorado nortista, a mensagem é de fidelidade total ao projeto nacional do PT e seus aliados. No entanto, a oposição já sinaliza que usará a imagem desses parlamentares associada ao “arquivamento do rombo bilionário” como principal narrativa de ataque nas bases eleitorais do Acre, Amapá e Tocantins visando 2026.
Investigação de R$ 10,5 Bilhões Sem Desfecho
O encerramento da CPMI sem a aprovação de um relatório final deixa no limbo uma investigação que apontou movimentações de R$ 10,5 bilhões entre 2015 e 2025. O esquema envolveria 47 entidades sindicais e associações que realizavam descontos indevidos em aposentadorias.
Além de Lulinha, o texto pedia o indiciamento do banqueiro Daniel Vorcaro e de lobistas acusados de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Com a rejeição do parecer nas últimas horas de funcionamento da comissão, as provas agora dependem de iniciativas individuais do Ministério Público para terem prosseguimento.