Nos últimos dias da janela partidária, o coronel Alfredo Menezes Júnior protagonizou o movimento mais inusitado do período: após ser dado como certo no grupo do governador Wilson Lima, o ex-militar selou sua filiação ao Avante, partido do prefeito David Almeida.
Durante o evento de filiação do União Brasil, que ocorreu na quarta-feira (01/04), Wilson Lima chegou a anunciar publicamente a integração de Menezes ao seu arco de alianças, justificando a ausência do coronel como um “compromisso familiar”. No entanto, o tal compromisso era, na verdade, uma reunião decisiva com o prefeito Renato Junior, articulador do grupo adversário.
A manobra, conduzida de forma silenciosa e estratégica, tem objetivos claros: Menezes entra para encorpar a nominata de deputados federais do Avante. A movimentação também visa impulsionar a candidatura de Aryel Almeida, filha de David.
Para os bastidores do poder, o episódio não foi apenas uma troca de legenda, mas uma “pernada” política que deixa o lado de Wilson em busca de explicações e o grupo de David Almeida com um reforço de peso — e de polêmica.
Histórico de mudanças
Conhecido por sua lealdade irrestrita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Menezes tem enfrentado uma jornada de mudanças partidárias nos últimos anos, fruto de embates internos e da busca por uma legenda que lhe garanta autonomia e estrutura para o pleito de 2026.
Após uma saída ruidosa do PL (Partido Liberal), onde travou uma batalha pública com a cúpula municipal da sigla em Manaus, Menezes buscou abrigo no Progressistas (PP). O movimento foi visto como uma tentativa de se distanciar de conflitos locais e se aproximar de uma estrutura partidária mais pragmática, mas sem abandonar a bandeira conservadora que o projeta nacionalmente.
A trajetória de Menezes é marcada por ciclos de ascensão e rompimento:
Patriota: Onde ganhou visibilidade como superintendente da Suframa e testou sua força eleitoral pela primeira vez.
PL: O período de maior turbulência, marcado pela disputa direta com o grupo do ex-prefeito Alfredo Nascimento e o deputado federal Capitão Alberto Neto.
Progressistas (PP): A atual aposta para construir uma candidatura sólida, aproveitando o tempo de TV e o fundo partidário de uma das maiores legendas do país.
A constante mudança de partido de Menezes revela um dilema estratégico: como manter o “voto ideológico” bolsonarista enquanto navega em siglas que, muitas vezes, compõem a base de apoio do governo federal ou estadual.
Em 2022, Menezes obteve uma votação expressiva para o Senado, batendo a casa dos 737 mil votos. Para 2026, o desafio é converter esse capital em uma vitória definitiva, o que exige não apenas o apoio de Bolsonaro, mas uma legenda que não o “frite” durante as convenções partidárias.
Impacto na Direita Amazonense
As movimentações de Menezes também forçam uma reorganização na direita local. Ao migrar de partido, ele abre espaço para novos nomes no PL e tensiona as relações no PP, onde precisa conviver com lideranças de perfis distintos. A grande questão que paira nos bastidores é se o Coronel conseguirá, finalmente, uma “casa” estável para enfrentar a máquina do governo e a força da oposição no próximo pleito.