A ‘benção’ de Cidade: Afago em Omar Aziz sinaliza rumos da máquina estadual para a eleição

Em sua primeira coletiva como governador interino, Cidade destaca “carinho enorme” por Omar Aziz; gesto sinaliza aliança estratégica e isola pré-candidaturas de David Almeida e Maria do Carmo
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Na política, as palavras raramente são escolhidas ao acaso, e os silêncios costumam gritar. Ao conceder sua primeira entrevista coletiva como governador interino do Amazonas, Roberto Cidade (União) não apenas cumpriu o protocolo institucional, mas enviou um recado cifrado — porém direto — ao mercado político ao se referir ao senador Omar Aziz (PSD) como “governador” e ressaltar um “carinho enorme” pelo aliado.

O gesto, que em outro cenário poderia ser lido como mera cortesia entre parlamentares, ganha contornos de estratégia eleitoral definitiva. Cidade assume o comando do Estado após a renúncia de Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza, e tudo indica que será o nome de consenso na eleição indireta a ser realizada pela Assembleia Legislativa (Aleam) em até 30 dias.

A relevância da declaração reside no que ela projeta para outubro. Com Roberto Cidade sentado na cadeira de governador e detendo a caneta do Executivo, o grupo político que orbita o Palácio da Compensa parece ter escolhido seu lado. O afago público a Omar Aziz sugere que a estrutura da máquina estadual será o “combustível” para a campanha do senador ao governo, consolidando uma frente ampla que já conta com o apoio velado de importantes prefeitos do interior.

Para analistas ouvidos pelo portal O Poder, o movimento de Cidade tem dois alvos claros: David Almeida (Avante) e Maria do Carmo (PL). Ao selar o compromisso com Omar, o governador interino fecha as portas do Palácio para o atual prefeito de Manaus e para a representante do bolsonarismo, isolando as duas pré-candidaturas que hoje tentam se viabilizar fora do eixo União Brasil-PSD.

A Diplomacia do “Governador”

Chamar Omar Aziz de “governador” durante uma coletiva oficial é um reconhecimento da liderança de Omar, que já ocupou o cargo e mantém influência sobre a maioria dos deputados estaduais. Para Roberto Cidade, que construiu sua carreira na Aleam sob a batuta de alianças sólidas, o gesto é uma garantia de governabilidade para o seu mandato-tampão e uma declaração de intenções para o futuro.

Enquanto a eleição indireta não ocorre, Cidade governa com o olhar nas urnas de outubro. Se a “profecia” do interino se concretizar e Omar Aziz confirmar sua força com o apoio da máquina, o cenário de 2026 poderá ser decidido muito antes do início oficial da propaganda eleitoral.

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