O senador Eduardo Braga (MDB) não perdeu tempo após o “terremoto” político que tirou Wilson Lima do comando do Estado para colocá-lo na disputa direta pelo Senado. Sabendo que o ex-governador chega com o peso da máquina nas mãos de Roberto Cidade, Braga deu início a uma maratona de reuniões com prefeitos do interior nesta semana, focando em um ativo que ele conhece como poucos: a fidelidade municipalista.
Apenas nesta semana, Braga recebeu em seu gabinete os prefeitos Lázaro (Fonte Boa), Sales (Tonantins) e o aliado estratégico Mateus Assayag (Parintins). O movimento é uma clara tentativa de “carimbar” o apoio dessas lideranças antes que o novo governo interino ou o grupo de Wilson Lima comece a avançar sobre as prefeituras.
O Mapa de Votos: Por que esses municípios?
A escolha das peças não é aleatória. Braga está mirando em regiões onde o voto é decidido pela influência direta da liderança local:
Parintins (Mateus Assayag): É o segundo maior colégio eleitoral do interior. Ter o controle da “Ilha da Magia” é fundamental para qualquer candidato majoritário. Braga mantém uma relação histórica com o grupo político de Bi Garcia e Assayag, garantindo uma transferência de votos que pode chegar a dezenas de milhares de eleitores.
Fonte Boa (Lázaro): No coração do Solimões, Fonte Boa é um polo de influência regional. O apoio do prefeito Lázaro garante a Braga uma estrutura capilarizada em uma calha onde o MDB tradicionalmente possui raízes profundas.
Tonantins (Sales): Localizado no Alto Solimões, é um município estratégico para o fechamento de votos em uma região de difícil acesso, onde a presença física e o apoio do prefeito são os únicos diferenciais contra o desconhecimento do eleitor.
Análise: A Guerra pelo Senado
Em 2026, duas cadeiras estarão em jogo. Com nomes como Capitão Alberto Neto, Plínio Valério e agora Wilson Lima no páreo, Eduardo Braga sabe que não pode depender apenas de Manaus — onde a rejeição aos nomes tradicionais costuma ser maior.
Ao reunir esses prefeitos, Braga oferece sua influência em Brasília (emendas e articulação ministerial) em troca do compromisso de “entrega” de votos. A estratégia é criar um cinturão de proteção no interior que compense qualquer avanço de Wilson Lima.
A Estrutura de Votos Favoráveis
Diferente de uma eleição para o Governo, a disputa para o Senado permite o “voto cruzado”. Braga aposta que, ao manter os prefeitos sob sua asa, ele garante o primeiro voto do eleitor do interior, independentemente de quem seja o candidato ao governo apoiado por essas mesmas prefeituras. Para o MDB, o interior não é apenas um reduto, é a sua sobrevivência política.