Indignação no Pacuí: DaLua dispara contra Furlan e expõe o ‘rombo’ na merenda escolar de Macapá

Com críticas severas ao ex-prefeito Furlan, o atual gestor denunciou o abandono de estruturas básicas e um suposto esquema que privilegiou gastos midiáticos em detrimento da alimentação de milhares de crianças
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A pacata região do Pacuí foi palco de um desabafo carregado de simbolismo e revolta nesta semana. O prefeito de Macapá, popularmente conhecido como “Prefeitinho DaLua”, não poupou palavras ao analisar o cenário de precariedade deixado por seu antecessor. Em meio aos escombros de serviços públicos e à carência da população, DaLua direcionou sua artilharia para as prioridades financeiras da gestão Furlan, atualmente afastado e sob a mira de investigações da Polícia Federal.

O ponto alto do discurso foi a revelação de valores que teriam sido desviados da finalidade social para a manutenção de uma rede de apoio na mídia. Com o semblante fechado, DaLua disparou:

“O mesmo valor que ele gastou com a imprensa canalha, ele deixou milhares de crianças sem lanchar!”

Segundo o prefeito, a gestão anterior teria deixado de quitar seis das nove parcelas do “Caixa Escolar” — recurso fundamental que garante a manutenção das unidades de ensino e complementa a alimentação dos alunos. O montante da dívida chegaria a R$ 7 milhões, valor que, segundo o atual gestor, coincide com os gastos de publicidade do governo passado.

O “Caixa Escolar” no Olho do Furacão

A análise de DaLua foi didática ao explicar para a comunidade o impacto da falta de repasses. O prefeito questionou: “O que é o Caixa Escolar? É o dinheiro que dá manutenção na escola e complementa a merenda escolar. Captou?”.

A fala expõe uma ferida aberta na educação municipal: enquanto o marketing político recebia aportes vultosos, o prato das crianças nas escolas do interior e da zona urbana permanecia vazio.

Herança Maldita e Investigação Federal

As críticas de DaLua não surgem no vácuo. Elas ecoam o momento delicado vivido pelo ex-prefeito Furlan, que além do desgaste político, enfrenta o rigor da lei. O afastamento determinado no âmbito de investigações da Polícia Federal reforça a narrativa de que a máquina pública de Macapá teria sido utilizada para fins alheios ao interesse público.

Para o atual prefeito, não se trata apenas de uma briga política, mas de uma reparação de danos. “Não fui eu que tirei a merenda, mas sou eu que vou colocar. Não fui eu que fiz o buraco, mas sou eu que vou tapar”, afirmou, tentando se distanciar da “herança maldita” e se posicionar como o gestor que encara a realidade de frente.

Relembrando sua trajetória — desde a moradia em áreas de ressaca (pontes) até a presidência da Câmara e o mandato de deputado —, DaLua usou sua biografia para validar sua indignação. Ao vestir a camisa do Flamengo e gesticular com vigor, ele buscou a conexão direta com o eleitor: “Eu tenho a cor de vocês. Eu sei o que vocês passam. Vocês têm um prefeito do meio de vocês”.

A visita ao Pacuí deixa claro: a estratégia do atual governo será a de contraste. De um lado, a acusação de uma gestão de “aparências” e gastos com a imprensa; do outro, o compromisso de quem diz conhecer a dor da periferia. Agora, resta saber como os órgãos de controle e a justiça conduzirão os desdobramentos das denúncias de R$ 7 milhões em aberto.

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