Folha de S.Paulo revela uso de emendas de Omar Aziz para abertura de estrada ilegal na Amazônia

Reportagem especial aponta que recursos destinados pelo senador e pré-candidato ao Governo teriam financiado obras sem licenciamento ambiental na rodovia AM-366; máquinas compradas com dinheiro público são centro da "disseminação de obras ilegais" na região
Redação O Poder
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Uma investigação publicada pelo jornal Folha de S.Paulo coloca o senador e pré-candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), no centro de uma denúncia sobre degradação ambiental na Amazônia. Segundo a reportagem, Aziz destinou emendas parlamentares para a expansão da rodovia estadual AM-366, uma obra que avança sobre áreas de floresta preservadas sem o devido licenciamento ambiental.

O levantamento da Folha percorreu diversos municípios amazônicos e constatou um cenário alarmante: prefeituras locais estão utilizando máquinas compradas com recursos da União (via emendas) para abrir estradas de forma irregular. No caso específico da AM-366, a obra conta com o apoio político direto de Omar Aziz e do prefeito de Tapauá, Gamaliel Andrade (União).

O “Caminho da Floresta” em Tapauá

Em agosto de 2021, o prefeito Gamaliel Andrade utilizou suas redes sociais para celebrar a parceria com o senador Omar Aziz, anunciando a destinação de verbas para a pavimentação da rodovia. O projeto é vendido localmente como uma solução para o isolamento de Tapauá — que hoje depende exclusivamente de trajetos fluviais ou aéreos que podem durar até três dias para chegar a Manaus.

A intenção é conectar o município à BR-319 (Manaus-Porto Velho), rodovia que já é pivô de um histórico embate sobre impactos ambientais no coração da floresta.

Falta de Estudo

Apesar do discurso de integração regional, a investigação aponta que a AM-366 ignora os ritos legais de preservação. O traçado previsto, de aproximadamente 550 quilômetros, corta o Parque Nacional Nascentes do Lago Jari e impacta diretamente duas terras indígenas já homologadas.

Até o momento, 40 quilômetros da estrada já foram abertos em cidades como Juruá, Tefé e Tapauá. Somente no trecho gerido por Gamaliel Andrade, 14 quilômetros de floresta foram derrubados. Segundo a Folha, a intervenção já resultou em:

Ocupações irregulares

Degradação hídrica: Igarapés que alimentam os rios da região foram bloqueados ou tiveram o fluxo alterado.

Ausência de licenciamento: Trechos foram executados sem estudos prévios de impacto ambiental ou autorização de órgãos competentes.

Liberação de emendas

O caso de Omar Aziz é citado como parte de um fenômeno maior identificado pela Folha. A facilidade na liberação de emendas parlamentares tem inundado as prefeituras amazônicas com maquinário pesado. Sem a devida fiscalização, esses equipamentos tornaram-se as principais ferramentas para a expansão de estradas “clandestinas”, ampliando riscos de desmatamento e conflitos fundiários em áreas sensíveis.

O portal O Poder segue acompanhando os desdobramentos da denúncia e mantém o espaço aberto para que o senador Omar Aziz e o prefeito Gamaliel Andrade apresentem seus esclarecimentos sobre os pontos citados pela reportagem da Folha de S.Paulo.

Veja reportagem da Folha de São Paulo:

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