O prefeito afastado de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), passou a cumprir uma série de medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. A decisão foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes em 26 de agosto, antes da operação da Polícia Federal que, em setembro, levou ao afastamento do prefeito e atingiu integrantes da administração municipal.
Além do monitoramento eletrônico, Adail deverá se apresentar periodicamente à Justiça e está submetido a restrições relacionadas ao deslocamento. A decisão também impede que ele mantenha contato com pessoas ligadas à investigação e limita seu acesso a prédios e estruturas da administração pública de Coari, salvo mediante autorização judicial.
O passaporte do prefeito afastado também deverá ser entregue à Justiça. O descumprimento das determinações pode resultar na adoção de medidas mais severas, incluindo prisão.
A situação de Adail ocorre no contexto de uma investigação que tramita no STF e envolve contratos e movimentações financeiras relacionadas à Prefeitura de Coari. A apuração deu origem à Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal em 16 de setembro.
Investigação alcança contratos municipais
A operação investiga suspeitas de irregularidades em processos de contratação pública, além de possíveis desvios de recursos, corrupção e lavagem de dinheiro.
Foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari. Adail Pinheiro foi afastado do cargo, enquanto o deputado federal Adail Filho (MDB), filho do prefeito, também passou a ser alvo das investigações.
O caso teve origem em uma apuração iniciada depois que empresários foram presos com aproximadamente R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo durante uma viagem entre Manaus e Brasília, em 2025. A análise do material apreendido levou os investigadores a ampliar o foco para movimentações financeiras e contratos públicos relacionados ao município.
Medidas atingem rotina política de Adail
As determinações judiciais passaram a restringir também a atuação de Adail dentro do município. O prefeito afastado não pode acessar secretarias, fundos, autarquias, empresas públicas e outros órgãos vinculados aos fatos investigados sem autorização.
A restrição ocorre em um período de intensa movimentação política no Amazonas.