Único senador pelo Amazonas a votar a favor do marco temporal, Plínio critica ministro do STF e comemora aprovação no Senado

Senador do Amazonas critica ministro do STF e comemora aprovação do marco temporal no Senado.
Redação O Poder
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Em um pronunciamento no Plenário do Senado Federal, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) criticou a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, que, segundo o parlamentar, indica interferência nos poderes Legislativo e Executivo. Plínio Valério foi o único dos três senadores pelo Amazonas a votar a favor do Marco Temporal, um conceito legal que define a data a partir da qual as terras indígenas são reconhecidas como de posse tradicional das comunidades indígenas no Brasil. O senador apontou que o ministro, que se prepara para assumir a presidência da Corte, estaria confundindo o seu papel de magistrado com o de parlamentar ou de chefe do Executivo.

Ele defendeu que os “verdadeiros interesses” das comunidades indígenas devem ser levados em consideração e que as demarcações de terras não refletem muitas vezes as suas reais necessidades. Plínio também destacou que é importante entender as diferentes realidades da Amazônia, onde vivem povos indígenas e comunidades de pequenos agricultores.

“Se terra resolvesse o problema dos indígenas, Manaus não teria hoje, segundo o IBGE, 70 mil índios vivendo em condições sub-humanas, na periferia, tendo que invadir terra, fugindo da terra que demarcaram para ele […] A Polícia Federal, seguindo ordens do Judiciário, junto com o Ibama e com a Funai, continua expulsando pequenos agricultores. São pessoas que nasceram ali, cujo título da terra data de 1904, e a Justiça não quer saber e elas têm que sair dali.”, argumentou o parlamentar.

Na noite desta quinta-feira (27), o Senado aprovou o projeto que regulamenta os direitos territoriais indígenas com 43 votos a favor e 21 contrários. O projeto, de autoria do ex-deputado Homero Pereira e relatado pelo senador Marcos Rogério, seguirá para a sanção presidencial após tramitar com urgência.
Um dos principais aspectos do projeto é a restrição à demarcação de novos territórios indígenas, limitando-a aos espaços já ocupados por eles até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, conhecida como marco temporal. Além disso, o texto prevê a exploração econômica das terras indígenas, com a aprovação da comunidade e benefícios para todos.
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