A Prefeitura de Manaus, sob a gestão de David Almeida (Avante), tem destinado milhões de reais aos cofres públicos para locação de prédios e estruturas improvisadas para escolas da rede municipal de ensino, ao invés de investir na construção de novas instituições planejadas. Desde o início de 2024, a Secretaria Municipal de Educação (Semed), comandada por Dulcinéia Almeida, irmã do prefeito, já gastou mais de R$ 57,8 milhões com 23 contratos de locação de prédios e galpões, com valores que variam de R$ 600 mil a R$ 7,3 milhões e prazos de até 60 meses.
Entre as estruturas alugadas, destaca-se o contrato com a Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas (IEADAM), que cedeu um prédio por R$ 3,06 milhões. No entanto, muitos desses imóveis não são adequados para o funcionamento de escolas, com problemas como falta de estacionamento e de espaço para atividades físicas, além de estarem localizados em áreas com infraestrutura inadequada. O CMEI Mariete Carneiro, por exemplo, está ao lado de uma loja de construção, o que representa risco à segurança dos alunos.
Os custos com aluguel poderiam ser empregados na construção de novas escolas. A Semed, ao invés de investir em obras duradouras, está gastando quantias que poderiam ser aplicadas na construção de ao menos nove escolas com capacidade para 780 alunos, considerando o modelo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que custa cerca de R$ 6 milhões cada.
Recentemente, críticas à gestão de David Almeida sobre esses gastos foram intensificadas. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) questionou os altos valores pagos em aluguéis, comparando-os com o custo de aquisição de imóveis. Além disso, a Câmara Municipal de Manaus (CMM) aprovou requerimento do vereador William Alemão (Cidadania) para que a Semed forneça explicações sobre os gastos de R$ 4 milhões com a locação de dois prédios na zona rural.