Prefeitura de Manaus pede aval da União para empréstimo de R$ 620 milhões

Após arquivamento de proposta anterior, gestão municipal protocola novo pedido no Tesouro Nacional; com juros, operação pode ultrapassar R$ 1 bilhão em 10 anos
Redação O Poder
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A Prefeitura de Manaus iniciou uma nova ofensiva junto ao Governo Federal para tentar destravar recursos de crédito. No último dia 9 de abril, o Executivo municipal protocolou na Secretaria do Tesouro Nacional (STN) um pedido de aval para contratar um empréstimo de R$ 620 milhões junto ao Banco do Brasil. A movimentação ocorre estrategicamente três dias após o órgão federal arquivar uma solicitação anterior, que era R$ 30 milhões mais cara.

A autorização da União é o “pedágio” obrigatório para o dinheiro ser liberado, já que o Governo Federal figura como garantidor da operação. Se aprovado, o montante será somado ao teto de R$ 2,5 bilhões que a prefeitura está autorizada por lei municipal a captar no mercado financeiro.

Infraestrutura e Dívidas

De acordo com o plano de aplicação apresentado, a fatia de leão dos recursos — cerca de R$ 585 milhões — será injetada em obras de infraestrutura urbana. O foco principal é o combate a problemas crônicos da capital, como drenagem, contenção de erosões, desassoreamento de igarapés e melhorias na mobilidade urbana.

Os R$ 35 milhões restantes devem ser aplicados na modernização da Secretaria Municipal de Finanças (Semef), visando a reestruturação tecnológica e a compra de equipamentos para otimizar a arrecadação e a gestão fiscal. Parte do valor também será utilizada para a amortização de dívidas públicas já existentes.

O Custo Bilionário

Apesar do fôlego financeiro imediato, a operação projeta um impacto robusto nas contas municipais a longo prazo. Com um prazo de pagamento de 10 anos e carência de 12 meses, o empréstimo terá juros baseados no CDI mais uma taxa de 1,2% ao ano. Cálculos preliminares indicam que, ao final do contrato, o município terá desembolsado mais de R$ 1 bilhão, considerando os encargos e correções.

A prefeitura defende que o crédito é essencial para aquecer a economia local, gerar empregos e entregar obras que melhorem a qualidade de vida, especialmente em áreas afetadas por alagamentos. No entanto, a palavra final cabe à União, que analisará a Capacidade de Pagamento (Capag) de Manaus e o nível de endividamento da capital antes de assinar como fiadora do contrato.

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