Prefeitura de Manaus renova contratos do Asfalta Manaus por R$ 144 milhões mesmo sob investigação

Prefeitura de Manaus renova contratos de programa de asfaltamento mesmo sob investigação do Ministério Público por supostas irregularidades.
Redação O Poder
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A Prefeitura de Manaus renovou 13 contratos com empresas responsáveis pelas obras do programa “Asfalta Manaus”, mesmo com um inquérito civil em andamento pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), que apura supostas irregularidades na transparência e divulgação das ações do programa. As renovações, que totalizam mais de R$ 144 milhões, foram assinadas entre os dias 15 e 16 de maio por Heliatan Botelho Correa, secretário em exercício da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).

Segundo levantamento do portal D24am, os contratos foram divulgados em três edições diferentes do Diário Oficial do Município (DOM). No dia 14 de maio, R$ 70 milhões foram destinados a empresas como Tercom, Construtora Rio Piorini e Mabole. No dia seguinte, mais R$ 36 milhões foram contratados com a Planar, Nale e outras empresas. Já em 16 de maio, os contratos somaram R$ 37 milhões com a RNC Construtora, Terra Sólida e CDC Empreendimentos.

Apesar dos altos valores, o programa segue sendo alvo de questionamentos por não apresentar um plano de ação detalhado, cronograma físico-financeiro ou relatório público sobre o andamento das obras. A ausência dessas informações motivou o MPAM a prorrogar o inquérito, que permanece ativo. Segundo o órgão, a Prefeitura de Manaus não respondeu aos ofícios encaminhados, o que impede a conclusão das diligências iniciadas.

A falta de clareza na aplicação dos recursos também repercute na Câmara Municipal. O vereador Coronel Rosses (PL) apresentou um levantamento apontando que bairros periféricos de Manaus ainda não foram contemplados com as obras de asfaltamento. “Tem bairro onde sequer a obra começa. Em outros, é iniciada e depois abandonada, sem qualquer justificativa”, afirmou o parlamentar.

Rosses também criticou a atuação das empresas contratadas pela Seminf, alegando que algumas delas recebem os pagamentos mesmo sem executar as obras previstas. O vereador cobra maior fiscalização sobre os contratos e mais transparência na execução do programa, que já ultrapassou R$ 200 milhões em investimentos desde que foi criado.

Enquanto isso, o MPAM mantém a apuração das denúncias. A população, especialmente nas áreas mais afastadas da cidade, continua relatando ruas esburacadas, obras paradas e falta de comunicação oficial sobre prazos ou metas.

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