Governo do Peru avalia saída de Corte de Direitos Humanos

Governo peruano avalia possível saída da Corte Interamericana de Direitos Humanos após pedido da instituição para não aprovar lei de anistia a militares e policiais.
Redação O Poder
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O governo do Peru irá avaliar “o mais rápido possível” a possível saída do país da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH), declarou nesta sexta-feira (1°) o ministro das Relações Exteriores, Elmer Schialer, depois que a presidente, Dina Boluarte, afirmou que não permitiria a intervenção da Corte no país.

Recentemente, a Corte IDH solicitou a Boluarte que não promulgasse a anistia recentemente aprovada pelo Congresso. A lei beneficiaria militares e policiais processados ou condenados por crimes cometidos durante o conflito armado interno (1980-2000) contra as organizações subversivas Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA).

Há meses, o governo peruano realiza reuniões consultivas com diversos atores da sociedade civil e autoridades sobre a saída do Peru da CorteIDH, e em breve será formalmente estabelecida uma comissão para avaliar oficialmente a decisão.

– Vamos consultar toda a população, ou seja, a academia, as organizações civis, os conselhos profissionais. Uma vez concluídos estes atos preparatórios, esta comissão será instalada formalmente e começará seus trabalhos – declarou Schialer à imprensa.

O ministro da Justiça e Direitos Humanos, Juan Alcántara, afirmou aos veículos de comunicação que uma equipe técnica, composta por especialistas de sua pasta e do Ministério das Relações Exteriores, está analisando a pertinência da permanência.

– Não estamos falando de uma saída neste momento. Estamos em um processo de avaliação – ressalvou Alcántara.

A possível saída do Peru da Corte IDH é uma demanda antiga de grupos conservadores do país, a maioria de direita. Eles consideram que as resoluções do tribunal tenderam a favorecer processados por terrorismo, como quando anulou os julgamentos realizados por “juízes sem rosto” (com identidade oculta) a “senderistas” e “emerretistas”.

BOLUARTE ANTECIPA DESACATO À CORTE IDH

Nesta sexta, Boluarte declarou que não permitirá a intervenção da Corte IDH contra a lei de anistia para policiais e militares processados por crimes cometidos durante o conflito armado interno. A lei foi recentemente aprovada pelo Congresso e está pendente de promulgação pelo Executivo.

– Não somos colônia de ninguém e não permitiremos a intervenção da Corte Interamericana, que pretende suspender um projeto de lei que busca justiça para membros de nossas Forças Armadas, nossa Polícia Nacional e os comitês de autodefesa, que lutaram arriscando a vida contra a insanidade do terrorismo – afirmou a presidente.

A anistia aprovada pelo Parlamento peruano beneficia membros das forças de segurança e comitês de autodefesa que não tenham sentença transitada em julgado, ou que possam estar denunciados, investigados ou processados por crimes cometidos entre 1980 e 2000. Além disso, inclui também aqueles que tenham sentença transitada em julgado e tenham completado no mínimo 70 anos.

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