Em entrevista à TV Norte nesta terça-feira (9), o deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) abordou dois temas centrais no debate político brasileiro: a proposta de anistia para manifestantes envolvidos nos atos de 8 de janeiro e a recente aprovação do projeto de licenciamento ambiental que impacta a BR-319. O parlamentar criticou a polarização política entre Lula e Bolsonaro, defendeu uma revisão de penas para pais e mães de família manipulados politicamente e alertou para os riscos de enfraquecimento da fiscalização ambiental na rodovia que liga Manaus a Porto Velho.
Polarização Política e Anistia Seletiva
Mandel destacou que a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro desvia o foco de questões prioritárias, como a economia e a qualidade de vida dos brasileiros. “A polarização beneficia apenas duas figuras do nosso país, Lula e Bolsonaro. Por isso, esse conflito por uma possibilidade de anistia ou pelo julgamento de uma pessoa que já está fora do poder acaba desviando o foco de pautas realmente importantes”, afirmou.
Sobre a proposta de anistia, o deputado defendeu uma abordagem seletiva, focada em pessoas que, segundo ele, foram manipuladas por ativistas políticos durante as manifestações de 8 de janeiro. “Nós precisamos focar nas pessoas que muitas vezes foram vítimas de uma manobra política de ativistas de todo o Brasil, que divulgaram informações a respeito das urnas ou a respeito da atuação dos três poderes, e que por isso foram lá acreditando que estariam fazendo o melhor pelo país”, declarou. Ele propôs a revisão de penas ou uma anistia restrita, priorizando pais e mães de família, para garantir maior apoio no Congresso Nacional.
Mandel também se posicionou a favor da criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar atos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conhecida como “CPMI da Zero Toga”. Para o parlamentar, a iniciativa é essencial para recuperar a confiança da sociedade no Judiciário. “É importante que a sociedade não tenha a sensação de que os ministros ou o Judiciário foram blindados politicamente”, destacou.
BR-319: Asfaltamento Responsável e Fiscalização
Outro ponto abordado na entrevista foi a votação contra o projeto de licenciamento ambiental aprovado recentemente no Congresso, que incluía um dispositivo favorável à conclusão das obras da BR-319. Mandel, que percorreu a rodovia de carro em uma expedição de Brasília a Manaus, relatou problemas graves de desmatamento e atividades criminosas na região. “Há um desmatamento que ocorre na BR-319, inclusive no trecho do meio, em razão da falta de fiscalização, tanto ambiental quanto da Polícia Rodoviária Federal”, afirmou.
Embora reconheça a importância da rodovia, o deputado criticou dispositivos do projeto que, segundo ele, enfraquecem a fiscalização ambiental. “Esse projeto, muito embora tivesse um artigo que poderia, em tese, beneficiar a nossa estrada, também afrouxava as regras de fiscalização. Precisamos de um asfaltamento responsável”, defendeu. Ele também questionou a demora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em analisar estudos técnicos sobre o asfaltamento, revelando que, após um ano e meio, o órgão ainda não havia avaliado o documento.
Mandel destacou que a falta de fiscalização na BR-319 vai além do impacto ambiental, contribuindo para problemas como tráfico de drogas e tráfico humano. “A questão da falta de fiscalização da BR não é só ambiental. Ela diz respeito também a uma série de atividades criminosas que ocorrem ali nessas comunidades”, alertou.
Posicionamento Equilibrado
O deputado concluiu reforçando sua defesa por um asfaltamento equilibrado da BR-319, que contemple a proteção ambiental e a segurança pública, sem abrir brechas para a ação de criminosos. Sua postura reflete a busca por soluções que conciliem desenvolvimento e responsabilidade, enquanto critica a polarização política que, em sua visão, prejudica o debate sobre temas estruturais para o Brasil.