A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, participou da abertura do Fórum Nacional VerDemocracia, em Belém, na noite da última segunda-feira (15). Na ocasião, a juíza recebeu uma ovação ao falar do sistema democrático e ao destacar a recepção recebida na capital do Pará. ”Não vou sair desse Pará nunca mais!, brincou a magistrada antes de iniciar sua fala.
“Quem faz democracia é o povo, é o cidadão, é a cidadã, é cada um de nós, é todos nós juntos. Não há democracia sem povo participando, sem povo atuando e sabendo que seja qual for a história brasileira que nós tenhamos tido até aqui. Quem produz a história do povo é o próprio povo”, afirmou.
Cármen Lúcia também destacou a importância da democracia para o futuro e a contribuição dos servidores da Justiça Eleitoral. “A democracia não é um termo da política, nem é um termo apenas do Estado, não é considerada mais regime político, é considerada um direito fundamental para que nós sejamos respeitados na nossa dignidade e comprometidos com a dignidade de todas as pessoas”, pontuou.
E completou: “Cada detalhe que se muda na urna, nós comunicamos. É o servidor público da Justiça Eleitoral que faz isso. É o servidor público que é, não apenas um servidor exemplar, mas um cidadão exemplar.”
A visita da ministra acontece quase uma semana após o seu voto condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado, na última quinta-feira (11), no Supremo.
Bolsonaro recebeu a maior pena: 27 anos e três meses de prisão, sendo 24 anos e 9 meses em regime fechado. Além disso, foi definida uma multa de 248 salários mínimos. Ele e os demais réus respondem, além do crime de golpe de Estado, por organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.
Cármen e Zanin plantam mudas
Ao lado de Cármen Lúcia, também esteve presente no evento em Belém o ministro do STF, Cristiano Zanin, além de presidentes de tribunais regionais eleitorais do país e outras autoridades. Juntos, eles plantaram 38 mudas de árvores nativas da Amazônia, como açaí e lanterneira, no Porto do Futuro.
“Este ato é um simbolismo para as próximas gerações, para que tenham apreço pela democracia e a tudo aquilo que nós desejamos ao país”, disse Zanin.
O Fórum é promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) e segue com programação até esta quarta-feira (17). A intenção é que o plantio ajude a compensar o carbono gerado em atividades do tribunal.
“Acho que a descarbonização tem esse propósito de fazer com que haja essa sustentabilidade e que proteja nosso meio ambiente, acima de tudo”, deliberou José Maria Teixeira do Rosário, desembargador e presidente do TRE-PA.
As condições climáticas causaram impactos nas últimas eleições principalmente no oeste e sudoeste do Pará, onde urnas precisaram ser levadas a pé por conta da baixa de rios e dificuldades de navegabilidade para chegar nos colégios eleitorais.
“Pensamos bastante em relação à logística das passadas eleições, é para que isso não aconteça mais. O nosso propósito foi esse, justamente fazer que nós tenhamos eleições com bastante apoio, bastante logística, para que isso seja realizado a contento”, explicou o desembargador e presidente do TRE.
O Fórum Nacional VerDemocracia foi criado como evento regional, mas tomou proporções nacionais e atualmente conta com a participação de servidores e especialistas de todo o Brasil, além de estudantes, que enxergam o evento como uma oportunidade de conhecer mais sobre o sistema eleitoral e a democracia brasileira.