O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta quinta-feira (9) que deixará o cargo. O comunicado foi feito ao fim da sessão plenária da Corte, em um pronunciamento emocionado. Aos 67 anos, Barroso afirmou que a decisão representa o início de uma nova etapa de sua vida pessoal e intelectual.
“Sinto que agora é hora de seguir outros rumos, que nem sei se estão definidos. Não tenho qualquer apego ao poder e gostaria de viver um pouco mais a vida que me resta, sem as disposições, obrigações e exigências públicas do cargo”, declarou. Segundo o ministro, o objetivo agora é se dedicar à literatura, à poesia e à publicação de um livro de memórias.
Barroso fez questão de destacar que a decisão não tem relação com o atual cenário político e que já havia comunicado sua intenção ao presidente da República há cerca de dois anos. “Nada tem a ver com qualquer fato da conjuntura atual”, afirmou.
Indicado para o STF em junho de 2013 pela então presidente Dilma Rousseff (PT), Barroso poderia permanecer na Corte até 2033, quando completaria 75 anos — idade limite para a aposentadoria compulsória no serviço público. Durante os mais de dez anos no Supremo, foi relator de temas de grande relevância, como a restrição do foro privilegiado, a suspensão de despejos durante a pandemia de Covid-19 e recursos relacionados ao mensalão.
Como presidente do STF entre 2023 e 2025, o ministro conduziu julgamentos sobre os atos de 8 de janeiro de 2023 e a tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados. Também lançou iniciativas de modernização e inclusão no Judiciário, como o pacto pela linguagem simples, o uso ampliado de inteligência artificial e o programa de bolsas de estudo para candidatos negros à magistratura.
Professor titular e doutor em Direito Constitucional pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Barroso é autor de livros e artigos acadêmicos amplamente reconhecidos. Antes de ingressar no Supremo, atuou como procurador do Estado do Rio de Janeiro, consolidando uma carreira marcada pela defesa da Constituição e dos direitos fundamentais.