Dan Câmara migra para o Republicanos e redesenha forças evangélicas na Aleam

Movimentação articulada pelo deputado federal Silas Câmara visa fortalecer a bancada da família na Assembleia Legislativa, mas coloca em risco a viabilidade eleitoral de atuais aliados da legenda
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A janela partidária de 2026 provocou uma movimentação estratégica no cenário político do Amazonas. O deputado estadual Dan Câmara oficializou sua saída do Podemos para se filiar ao Republicanos, partido presidido no estado por seu irmão, o deputado federal e pastor Silas Câmara (IEADAM). A mudança, revelada durante reunião com lideranças evangélicas no auditório Canaã, será oficializada na tarde desta quinta-feira (19/03).

A mudança coloca em rota de colisão dois dos principais nomes do segmento religioso no parlamento estadual. A chegada de Dan Câmara à sigla é vista por analistas e interlocutores como o estopim de uma crise interna. Isso porque o Republicanos, que atualmente conta com o deputado João Luiz (IURD) na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), projeta dificuldades para eleger mais de um representante no próximo pleito.

Caso o partido não atinja um quociente eleitoral robusto, os dois parlamentares — ambos com bases evangélicas sólidas — disputarão diretamente a única vaga viável da legenda. Nos bastidores, o cenário já é apelidado de “guerra santa”, evidenciando o desgaste entre as lideranças da Assembleia de Deus e da Igreja Universal.

Desgaste entre Silas Câmara e João Luiz

A articulação para a filiação de Dan teria sido conduzida diretamente por Silas Câmara. O movimento não visa apenas garantir a reeleição do irmão, mas também reduzir a influência política de João Luiz dentro do diretório estadual.

A relação entre Silas e João Luiz apresenta sinais de fadiga há meses. Relatos indicam que João Luiz teria expressado à cúpula nacional do partido, em São Paulo, insegurança quanto à liderança de Silas no estado.

Esvaziamento e Crise na Legenda

O Republicanos enfrenta um momento de fragilidade. Recentemente, a sigla sofreu baixas de peso, como o deputado federal Adail Filho, o ex-prefeito Arthur Virgílio Neto e o ex-prefeito Nathan Macena, que migraram para o MDB. Há ainda rumores de que o vereador João Carlos e o ex-secretário Jorge Oliveira possam deixar o partido rumo à União Progressista.

Sem grandes “puxadores de votos”, a própria reeleição de Silas Câmara para a Câmara Federal é vista como um desafio crescente. Antes de consolidar a vinda do irmão, Silas teria tentado uma vaga no PL, mas a movimentação foi barrada por Alfredo Nascimento, que preside a legenda de Jair Bolsonaro no Amazonas.

O posicionamento de Dan Câmara

Questionado sobre o confronto direto com João Luiz, em entrevista, Dan Câmara adotou um tom conciliador e minimizou as rivalidades.

“Somamos esforços para fazer uma bancada maior do Republicanos na Aleam. Vamos melhorar o quociente eleitoral do partido. O resto é conversa para boi dormir”, afirmou o parlamentar.

Ex-comandante-geral da Polícia Militar e em seu primeiro mandato, Dan Câmara justifica a saída do Podemos devido ao esvaziamento da antiga sigla e busca agora, sob o guarda-chuva familiar e partidário do irmão, viabilizar sua permanência na Aleam para a próxima legislatura.

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