Ao projetar o debate eleitoral de 2026, o prefeito de Manaus David Almeida (Avante) elevou o tom ao transformar a distribuição de recursos públicos no Amazonas em eixo central de sua narrativa política. Em entrevista ao Imediato e O Poder nesta terça-feira (24/03), o gestor afirmou que a capital sustenta financeiramente o Estado, mas não recebe investimentos proporcionais — o que classificou, na prática, como uma “injustiça fiscal”.
“Aproximadamente 90% de todo o ICMS do Estado é arrecadado em Manaus. Desse montante, ele deixa para Manaus 25%, e desses 25%, apenas 16% ficam com a cidade”, declarou.
Segundo ele, a mesma distorção ocorre com o IPVA: “95% é arrecadado em Manaus, mas o Estado só deixa 45%”.
A crítica não se limita aos números. O prefeito também questionou a presença do governo estadual na capital, apontando ausência de investimentos diretos em áreas essenciais.
“O Estado não asfalta uma rua em Manaus, não constrói um hospital, não constrói uma maternidade, não abre uma nova via”, afirmou.
Para o gestor, o cenário é insustentável sem cooperação institucional.
“Se não tiver parceria do governo do Estado com a Prefeitura de Manaus, a cidade vai colapsar”, disse.
Ao mesmo tempo, procurou afastar a ideia de alinhamento pessoal ao defender uma relação baseada na cidade, e não em nomes. “Eu não vou fazer parceria com o Renato (vice-prefeito), eu vou fazer parceria com Manaus, porque é de dentro de Manaus que sai a arrecadação desses recursos”.
A proposta, segundo ele, passa por redirecionar investimentos para áreas estratégicas como segurança pública, saúde de média e alta complexidade e mobilidade urbana. “Esses recursos precisam ser investidos onde são gerados”, reforçou.
Ao trazer o debate fiscal para o centro da arena política, o prefeito sinaliza uma estratégia clara: transformar a concentração de arrecadação em Manaus em argumento eleitoral e em instrumento de pressão por maior protagonismo da capital nas decisões do Estado. A narrativa, além de tensionar a relação institucional, reposiciona o debate sobre governabilidade e pode influenciar diretamente o tom da disputa pelo Executivo estadual nos próximos anos.
Confira entrevista exclusiva da Brenda Souza: