Amom Mandel oficializa filiação ao Republicanos e busca musculatura política para 2026

Após deixar o Cidadania com discurso de gratidão e independência, deputado federal mais votado do Amazonas aposta em sigla robusta para garantir viabilidade de seu projeto político e estrutura partidária
Redação O Poder
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O deputado federal Amom Mandel (AM) confirmou, nesta quinta-feira, sua saída do partido Cidadania para integrar as fileiras do Republicanos. A mudança, oficializada por meio de nota, encerra meses de especulação sobre o futuro partidário do parlamentar, que foi o recordista de votos no Amazonas nas últimas eleições gerais.

Em nota oficial, Mandel destacou que a decisão foi fruto de diálogos em nível nacional e que o Republicanos assegurou a manutenção de sua independência legislativa. “A filiação não representa mudança de valores ou de posicionamento”, afirmou o parlamentar, reforçando que o foco continuará sendo a fiscalização e a transparência com os recursos públicos.

Ao se despedir do Cidadania, partido pelo qual disputou a Prefeitura de Manaus em 2024, Amom registrou gratidão pelo espaço e afirmou manter uma relação de respeito com os antigos correligionários.

A ida de Amom Mandel para o Republicanos é, antes de tudo, um movimento de realismo político. Embora Amom tenha construído sua imagem baseada na independência e no distanciamento dos moldes tradicionais, a política brasileira impõe barreiras severas para parlamentares em siglas pequenas ou em federações instáveis.

A busca por estrutura e tempo de TV

No Cidadania, Amom enfrentava as limitações de um partido que, mesmo em federação com o PSDB, possui poucos recursos do Fundo Partidário e tempo de antena reduzido. Ao migrar para o Republicanos, um dos partidos que mais cresce no Brasil e que detém uma das maiores bancadas na Câmara, Amom ganha:

• Maior fatia de tempo de rádio e TV para futuras campanhas.

• Acesso a fundos eleitorais robustos, essenciais para enfrentar máquinas governamentais.

• Capacidade de influenciar comissões importantes em Brasília.

Manutenção da viabilidade para 2026

A pergunta central — “Foi para se manter vivo?” — tem resposta positiva sob a ótica da viabilidade institucional. Sem um partido forte, um político de votação expressiva corre o risco de se tornar um “exército de um homem só”, sem capacidade de formar coligações ou de sustentar um projeto majoritário (Governo ou Senado) em 2026. O Republicanos oferece a Mandel o “porto seguro” necessário para não ser engolido pelas grandes coalizões locais.

Desafio

O maior risco para Amom agora é o discurso. Conhecido por criticar o “velho modo de fazer política”, ele terá que equilibrar sua atuação independente dentro de um partido que compõe o chamado “Centrão” e que possui laços estreitos com diferentes espectros do poder.

A nota oficial, ao bater repetidamente na tecla da “independência”, mostra que o deputado está ciente desse desafio e tenta blindar sua imagem perante o eleitorado mais jovem e antipolítico.

Carregar Comentários