Manuscrito apreendido pela PF cita deputados federais e valores de até R$ 538 mil em esquema no Pará

Após apreensão de R$ 500 mil em espécie, lista com nomes de quatro deputados federais da base governista eleva a pressão sobre o núcleo político de Helder Barbalho
Redação O Poder
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Uma nova etapa da Operação OARS, deflagrada pela Polícia Federal, trouxe à tona detalhes inquietantes sobre a rede de influência e movimentação financeira no entorno do governo do Pará. Em diligências realizadas em Belém neste mês de março, agentes da PF apreenderam um documento manuscrito que lista nomes de quatro deputados federais da bancada paraense, acompanhados de cifras que variam entre R$ 100 mil e R$ 538 mil.

A apreensão ocorreu no mesmo contexto em que foram encontrados R$ 500 mil em espécie e efetuadas prisões de indivíduos ligados ao núcleo político do governador Helder Barbalho (MDB).

O documento, que já está sob perícia, cita nominalmente os deputados federais Raimundo Santos (PSD), Henderson Pinto (MDB), Keniston Braga (MDB) e Olival Marques (MDB).

As anotações sugerem uma contabilidade paralela que a Polícia Federal agora tenta rastrear, buscando identificar se os valores correspondem a repasses de propina originados de contratos fraudulentos no estado. Entre os contratos sob suspeita, destaca-se um de R$ 3,8 milhões com a Fundação Cultural do Pará, que teria servido como fonte para o desvio de recursos públicos.

A repercussão no meio político foi imediata. O deputado Raimundo Santos (PSD) reagiu com estranheza à menção de seu nome, classificando a citação como “muito estranha” e negando qualquer tipo de envolvimento com os investigados ou com o conteúdo do papel apreendido. Na mesma linha, o deputado Keniston Braga (MDB) afirmou desconhecer a existência do documento e reiterou que sua conduta pública é pautada pela ética e transparência.

Os demais parlamentares citados ainda buscam esclarecimentos jurídicos antes de se posicionarem formalmente, embora interlocutores neguem as irregularidades.

Enquanto a investigação avança para identificar o autor do manuscrito e a origem real do dinheiro vivo apreendido, o Palácio dos Despachos tenta se distanciar do escândalo.

O governo estadual exonerou prontamente um servidor da Casa Civil envolvido na operação e declarou que apoia integralmente as ações da Polícia Federal. No entanto, a presença de nomes de peso da base aliada em uma lista de valores apreendida com meio milhão de reais coloca o cenário político paraense sob forte tensão e vigilância das autoridades federais.

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