Xeque-mate: Wilson Lima reúne 16 deputados e sela eleição de Roberto Cidade como governador tampão

A permanência de Cidade no comando do Edifício da Compensa, com as bênçãos de Wilson Lima, transforma o Governo do Estado em uma poderosa plataforma eleitoral
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A manhã deste domingo (05) não foi apenas de ritos institucionais, mas de uma demonstração de força que redesenha o mapa político do Amazonas. Ao reunir 16 deputados estaduais em sua residência oficial, o ex-governador Wilson Lima (UB) enviou um recado claro: o grupo permanece coeso, sob seu comando, e já tem os números necessários para dominar a eleição indireta que se avizinha.

Estavam presentes os deputados: Delegado Péricles, Wanderley Monteiro, Dr. Gomes, Mário César Filho, Débora Menezes, Felipe Souza, Cabo Maciel, Alessandra Campelo, governador interino Roberto Cidade, João Luiz, Thiago Abrahim, George Lins, Joana Darc, Cristiano D’Angelo, Carlinhos Bessa e Adjuto Afonso.

A presença de Roberto Cidade, agora governador interino, e do ex-vice Tadeu de Souza (PP) ao lado de Lima, sela um pacto de sobrevivência e expansão política que visa as eleições de 2026.

A Matemática da Eleição Indireta

Para ser eleito “governador tampão” em uma eleição indireta realizada pela Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), o candidato precisa de maioria absoluta. Composta por 24 deputados, a Casa exige 13 votos para definir o vencedor.

Ao posar com 16 parlamentares (contando com o próprio Roberto Cidade), o grupo de Wilson Lima já ultrapassa o quórum necessário com folga.

Este cenário praticamente isola qualquer tentativa da oposição de lançar um nome viável, consolidando Roberto Cidade não apenas como um substituto temporário, mas como o favorito absoluto para o mandato tampão.

O Uso da Máquina: O “Gás” para 2026

A permanência de Cidade no comando do Edifício da Compensa, com as bênçãos de Wilson Lima, transforma o Governo do Estado em uma poderosa plataforma eleitoral. Analistas políticos enxergam três frentes estratégicas que serão beneficiadas pela “máquina” pública:

1. Wilson Lima ao Senado: Com o controle do orçamento e das entregas estaduais, Wilson ganha capilaridade no interior e na capital para pavimentar sua subida ao Legislativo Federal com o apoio da estrutura do governo.

2. Tadeu de Souza à Câmara Federal: O ex-vice-governador, peça-chave na articulação jurídica e política, terá o suporte necessário para converter sua experiência técnica em votos, mirando uma das oito cadeiras em Brasília.

3. Roberto Cidade à Reeleição (Governador): Sentar na cadeira de governador antes da eleição de 2026 dá a Cidade a vantagem da “vitrine”. Ele deixa de ser o articulador de bastidores da ALEAM para se tornar o executor de obras e auxílios, construindo o recall necessário para disputar a permanência no cargo.

A reunião na zona Centro-Sul de Manaus foi o primeiro ato de uma peça ensaiada. O grupo de Wilson Lima mostrou que, apesar das renúncias, não houve perda de poder, mas sim uma redistribuição estratégica. Se o “Plano Cidade” se confirmar na eleição indireta, a oposição terá que enfrentar um grupo que detém, ao mesmo tempo, a caneta do Executivo e o martelo do Legislativo.

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