Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em empate técnico na disputa presidencial no AM

recado político da pesquisa é claro: Lula segue competitivo, mas o Amazonas já não entrega ao petista a mesma margem de segurança da eleição passada.
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A nova pesquisa Iveritas/Imediato acendeu um alerta no Palácio do Planalto e expôs uma mudança importante no humor do eleitorado amazonense: Lula ainda aparece numericamente à frente, mas já não lidera com a folga de antes e vê Flávio Bolsonaro colado em seu retrovisor.

No levantamento, o presidente marca 44,86% das intenções de voto no Amazonas, contra 42,32% do senador do PL, em empate técnico dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais.

O dado ganha peso quando comparado com a última eleição presidencial. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro no Amazonas tanto no primeiro quanto no segundo turno. Agora, porém, aparece abaixo daquele desempenho e vê o campo bolsonarista manter musculatura no estado mesmo com outro nome na cabeça de chapa.

O recado político da pesquisa é claro: Lula segue competitivo, mas o Amazonas já não entrega ao petista a mesma margem de segurança da eleição passada.

E há um segundo ponto que torna o cenário ainda mais sensível para o presidente: Flávio Bolsonaro só consolidou sua pré-candidatura nacional nas últimas semanas e, ainda assim, já surge em nível de empate técnico com Lula no estado. Isso sugere não apenas desgaste do lulismo local, mas também a capacidade de o bolsonarismo transferir força eleitoral no Amazonas mesmo sem Jair Bolsonaro na urna.

Em termos práticos, a nova pesquisa coloca Lula cerca de 5 pontos abaixo do que teve no primeiro turno de 2022 no Amazonas e aproximadamente 6 pontos abaixo do que alcançou no segundo turno. Isso não significa colapso eleitoral, mas mostra um encolhimento claro de sua vantagem no Estado. Em 2022, Lula venceu no Amazonas; agora, aparece tecnicamente empatado com o principal nome do campo bolsonarista para 2026.

Esse recuo relativo de Lula fica ainda mais relevante quando se observa o adversário. Flávio Bolsonaro só consolidou sua condição de pré-candidato presidencial nas últimas semanas, com agendas nacionais de pré-campanha e a declaração pública de que disputará o Planalto mesmo se Jair Bolsonaro recuperar a elegibilidade. Ainda assim, já aparece com 42,32% no Amazonas, muito próximo do desempenho que o bolsonarismo teve no Estado no primeiro turno de 2022, quando Jair Bolsonaro marcou 42,80%.

O dado é politicamente expressivo porque Flávio não parte do zero, mas também ainda não teve o tempo de exposição e consolidação de uma campanha presidencial plenamente madura. Ele herda o capital político do sobrenome Bolsonaro, a base ideológica já organizada da direita e o recall do ex-presidente, mas aparece competitivo num estado em que Lula venceu a última eleição. Isso permite uma leitura forte: o bolsonarismo já recompôs no Amazonas, com o filho, praticamente o mesmo piso que teve com Jair em 2022.

A série mais recente de levantamentos reforça esse ambiente de aperto. Em fevereiro, pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula com 45% e Flávio Bolsonaro com 37,9% no Amazonas. Em março, levantamento Real Time Big Data apontou empate técnico em todos os cenários testados, com Lula oscilando entre 40% e 41% e Flávio entre 41% e 42%. A Iveritas agora mostra Lula com 44,86% e Flávio com 42,32%, confirmando que o Estado entrou de vez na faixa de polarização dura entre os dois campos.

Para Lula, o resultado é um sinal de alerta. Embora siga competitivo e ainda numericamente na frente, o presidente já não reproduz com a mesma folga o desempenho obtido no Amazonas em 2022. Além disso, pesquisas recentes de avaliação mostram ambiente mais difícil para o petista no Estado: a Real Time Big Data divulgou em março que 52% rejeitam Lula no Amazonas. Esse contexto ajuda a explicar por que ele segue forte, mas sem margem confortável.

Para Flávio Bolsonaro, a leitura é de consolidação acelerada. Em menos de um mês de pré-campanha assumida, ele conseguiu transformar o capital político do bolsonarismo em competitividade efetiva no Amazonas. Se em 2022 Jair Bolsonaro perdeu o Estado por margem estreita no segundo turno, agora o herdeiro político do ex-presidente aparece desde já colado em Lula, sem sequer ter passado ainda por uma campanha longa de TV, palanque e estrutura completa.

No conjunto, a pesquisa Iveritas/Imediato mostra que o Amazonas continua polarizado, mas com uma mudança importante de temperatura. Lula ainda lidera numericamente, porém em patamar inferior ao da última eleição presidencial no Estado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, já aparece em empate técnico e demonstra que o campo bolsonarista preserva musculatura eleitoral relevante no Amazonas. Mais do que uma simples fotografia do momento, o levantamento sugere que a sucessão presidencial no Estado pode ser novamente decidida voto a voto.

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