O Amazonas está se tornando uma “ilha” cada vez mais isolada do restante do país e de si mesmo. O alerta foi levado à tribuna da Assembleia Legislativa (Aleam) na quarta-feira (22) pelo deputado João Luiz (Republicanos), que denunciou a suspensão sistemática de voos da Azul Linhas Aéreas para o interior do estado. O parlamentar cobrou rigor no cumprimento dos contratos e classificou a situação como um desrespeito aos moradores das regiões mais remotas.
Atualmente, o município de Tabatinga, ponto estratégico na tríplice fronteira e a 1.100 km de Manaus, já sofre com a interrupção das operações. Segundo o deputado, o “efeito dominó” ameaça agora as cidades de Eirunepé e São Gabriel da Cachoeira.
“O Amazonas pode ficar ainda mais isolado. Precisamos de um documento conjunto com a Comissão de Transporte para demonstrar nossa preocupação com esse impacto que atinge centenas de pessoas em pelo menos nove municípios”, afirmou João Luiz.
Amazonas no Topo do Ranking Negativo
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmam o cenário crítico desenhado pelo parlamentar. O Amazonas lidera o ranking nacional de redução de voos no Brasil, com uma queda de 17,5% na oferta de assentos e frequências. O estado é seguido por Pernambuco (-10,5%) e Goiás (-9,3%).
Enquanto rotas rentáveis como a ponte aérea Rio-São Paulo permanecem intocadas, o interior da Amazônia paga a conta da alta do querosene de aviação (QAV) e do preço do petróleo no mercado internacional. No total, as companhias brasileiras já suspenderam mais de 2 mil voos programados para o mês de maio.
O Custo da Distância
Para quem vive no interior do Amazonas, o avião não é luxo, é item de primeira necessidade para saúde e logística básica. A estratégia das companhias de cortar as rotas “menos rentáveis” penaliza justamente as populações que não possuem alternativa terrestre. A pressão da Aleam sobre a Azul tenta reverter um movimento que, se consolidado, deve encarecer ainda mais o custo de vida e dificultar o atendimento médico especializado nas calhas do Alto Solimões e Juruá.