Alexandre de Moraes abre inquérito contra Adail Filho e Adail Pinheiro por corrupção e lavagem de dinheiro

Investigação do STF mira "conexão Brasília-Coari" após apreensão de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo no aeroporto; ministro vê indícios de repasses de empresas contratadas pela prefeitura e uso de emendas parlamentares no esquema
Redação O Poder
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura oficial de inquérito para investigar o deputado federal Adail Filho (MDB) e seu pai, o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos). A decisão, proferida na quarta-feira (22), apura suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, unificando o caso na Suprema Corte devido ao foro privilegiado do parlamentar.

O estopim da investigação foi uma operação da Polícia Federal em maio de 2025, quando três empresários amazonenses foram presos em flagrante no Aeroporto Internacional de Brasília com R$ 1,2 milhão em espécie. O dinheiro, composto majoritariamente por cédulas de R$ 200, foi detectado pelo raio-x quando o trio tentava embarcar de Manaus para Goiânia.

A Conexão com Coari

A PF estabeleceu um vínculo direto entre os empresários e a família Pinheiro após identificar que as empresas do trio detinham contratos vultuosos com a Prefeitura de Coari. A suspeita dos investigadores é que o montante apreendido seja fruto de fraudes em licitações e “retorno” de recursos públicos.

Na decisão, Moraes citou que a análise de dispositivos eletrônicos apreendidos revelou repasses financeiros de pessoas jurídicas ligadas aos empresários em benefício de Adail Filho e Adail Pinheiro. O ministro também destacou o fluxo de emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal diretamente para a gestão do pai em Coari, o que reforçaria a conexão entre o mandato e o suposto esquema.

Defesa e Próximos Passos

Anteriormente, Adail Filho negou qualquer irregularidade, afirmando que apenas prestou auxílio logístico (gabinete e motorista) a um dos empresários em Brasília como cortesia a um aliado político de Presidente Figueiredo. No entanto, para o STF, os indícios de transações financeiras suspeitas justificam o aprofundamento das investigações sob a supervisão da Suprema Corte.

Na nota, Adail Filho reforça que sua assessoria jurídica já solicitou acesso integral ao conteúdo dos autos para entender os termos da investigação autorizada pelo STF. O deputado enfatizou que a abertura de um inquérito tem caráter apuratório e não significa condenação antecipada, invocando os princípios da presunção de inocência e do devido processo legal.

Foco no Mandato e Repúdio à Exploração

O parlamentar foi enfático ao criticar o uso do caso por adversários. “O parlamentar repudia tentativas de exploração política de fatos ainda não esclarecidos e reafirma que não possui qualquer envolvimento com as situações mencionadas”, destaca trecho do comunicado enviado à redação de O Poder.

Mesmo sob a mira da Suprema Corte, Adail Filho garantiu que a rotina legislativa em Brasília não sofrerá alterações. Ele reiterou que segue focado na entrega de resultados para o Amazonas e que confia no esclarecimento definitivo dos fatos. “Reafirmo meu compromisso com a verdade, a transparência e o respeito às instituições”, finalizou.

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