STJ torna Gladson Cameli réu em nova ação por suposta fraude milionária em obras públicas no Acre

Gladson Cameli passa a responder por suposto direcionamento de licitação, superfaturamento e desvio de recursos em contrato milionário no Acre
Redação O Poder
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A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu tornar réu o ex-governador do Acre, Gladson Cameli, em mais uma ação penal ligada a suspeitas de irregularidades em contratos públicos. A nova denúncia, apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), aponta possíveis fraudes em licitação e desvios de dinheiro durante obras de duplicação da rodovia AC-405, em Cruzeiro do Sul.

Segundo as investigações, o esquema teria ocorrido durante o primeiro mandato de Cameli no governo acreano, em 2020. O MPF sustenta que houve atuação para favorecer a Construtora Colorado, empresa ligada à família do ex-governador, por meio do direcionamento do processo licitatório e da nomeação de aliados para cargos estratégicos no órgão responsável pela obra.

A investigação também aponta indícios de superfaturamento no contrato. Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram possíveis manobras que teriam elevado artificialmente os custos da obra, gerando sobrepreço estimado em cerca de R$ 3,6 milhões. Parte dos recursos desviados, segundo a acusação, teria sido usada em despesas pessoais e transferências para empresas ligadas à família Cameli.

A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, afirmou que há elementos suficientes para a abertura da ação penal. De acordo com a magistrada, documentos, movimentações financeiras e mensagens obtidas durante a investigação apontam possível atuação coordenada entre integrantes do governo e empresários envolvidos no contrato.

Condenado

Gladson Cameli já havia sido condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no início de maio, a 25 anos e nove meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações. Segundo o Ministério Público Federal, o esquema teria causado prejuízo milionário aos cofres públicos do Acre por meio de contratos fraudulentos ligados a obras e serviços de engenharia. A Corte também determinou multa, indenização ao Estado e reconheceu que Cameli teria liderado a estrutura criminosa investigada nas operações Ptolomeu e Murano. A decisão é considerada a maior pena já aplicada pela Corte em uma ação penal originária.

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