O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) publicou no Diário Oficial do dia 9 de junho o Alerta nº 01/2026, direcionado ao Governo do Amazonas e às prefeituras municipais, recomendando a adoção imediata de medidas preventivas para minimizar os impactos de eventos hidrometeorológicos extremos previstos para os meses de junho e julho deste ano.
O documento foi elaborado com base em relatório técnico da Defesa Civil do Estado do Amazonas, que aponta risco hidrológico moderado a alto para ocorrência de inundações em diversas regiões do estado, especialmente nas calhas dos rios Juruá, Purus, Madeira e Solimões. Segundo o estudo, os níveis dos rios já se encontram acima da média histórica dos últimos dez anos e apresentam tendência de elevação nas próximas semanas.
De acordo com o TCE-AM, o avanço simultâneo das cheias em diferentes bacias hidrográficas aumenta a possibilidade de impactos cumulativos, afetando diretamente comunidades vulneráveis, infraestrutura pública, abastecimento de água, transporte fluvial, segurança alimentar e a prestação de serviços essenciais.
O alerta destaca ainda que as análises meteorológicas indicam a possibilidade de configuração de um fenômeno climático associado ao El Niño até o final de 2026, além da previsão de temperaturas acima da média em diversas regiões do Amazonas.
O prognóstico para o bimestre aponta chuvas acima da normalidade em áreas do Médio Rio Negro, Médio Amazonas e Baixo Amazonas. Já nas regiões do Alto Madeira, Alto Juruá e alto e médio curso do rio Purus, a previsão é de temperaturas superiores à média histórica.
Medidas recomendadas
Entre as principais providências recomendadas pelo Tribunal de Contas estão a atualização e execução dos planos de contingência e defesa civil, o reforço do monitoramento hidrológico e meteorológico e a ampliação da integração entre órgãos estaduais e municipais responsáveis por áreas como saúde, meio ambiente, assistência social, infraestrutura e saneamento.
O órgão também orienta que os municípios fortaleçam a articulação com a Defesa Civil do Amazonas para acesso a informações técnicas, treinamentos, apoio operacional e equipamentos destinados à prevenção e resposta a possíveis desastres.
Outra preocupação destacada no documento é a necessidade de proteger populações consideradas mais vulneráveis, como comunidades ribeirinhas, indígenas e rurais. O TCE-AM recomenda ainda a adoção de estratégias para garantir o abastecimento de água potável, atendimento de saúde, segurança alimentar e transporte em localidades que possam ficar isoladas.
Além disso, o alerta prevê ações para contenção de processos erosivos, reforço da vigilância epidemiológica, estruturação de logística emergencial para acesso a áreas remotas e realização de campanhas educativas sobre prevenção de riscos relacionados a enchentes e eventos climáticos extremos.
Vulnerabilidade do Amazonas
Na justificativa do alerta, o Tribunal ressalta que o Amazonas apresenta elevada vulnerabilidade socioambiental devido à sua extensa rede hidrográfica, às grandes distâncias territoriais e à forte dependência do transporte fluvial para o deslocamento de pessoas e mercadorias.
O órgão também destaca que os eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos vêm provocando impactos cada vez mais severos sobre a população, comprometendo a mobilidade, o abastecimento de água, a infraestrutura pública, a saúde e a continuidade dos serviços essenciais.
Segundo o TCE-AM, a atuação preventiva dos gestores públicos é fundamental para reduzir danos humanos, sociais, ambientais e econômicos, reforçando a importância do fortalecimento das políticas de defesa civil, governança climática e adaptação às mudanças climáticas em todo o estado.
CONFIRA O ALERTA NA ÍNTEGRA: TCE AM – ALERTA Nº 01-2026 – DICAMB-SECEX