8 VAGAS, 89 CANDIDATOS: porque a eleição para deputado federal no Amapá promete ser disputada

Quase toda a bancada atual está novamente no páreo, enquanto nomes conhecidos da política amapaense tentam abrir espaço na disputa por oito cadeiras em Brasília.
Redação O Poder
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Para quem olha apenas para os números, a eleição para deputado federal no Amapá pode até parecer tranquila. São 89 candidatos disputando oito vagas na Câmara dos Deputados, a menor concorrência proporcional entre os estados brasileiros, com cerca de 11 candidatos por cadeira.

Mas, na prática, a disputa está longe de ser simples. O principal obstáculo para quem tenta chegar a Brasília é que sete dos oito deputados federais que estão no cargo querem continuar por mais quatro anos.

Isso transforma a eleição em uma queda de braço entre quem busca renovação e uma bancada que já possui mandato, estrutura política e espaço conquistado no eleitorado.

Quem está tentando continuar
Estão novamente na corrida Aline Gurgel (União Brasil), André Abdon (PP), Dorinaldo Malafaia (PDT), Josenildo (PDT), Paulo Lemos (PT), Professora Marcivânia (PCdoB) e Vinicius Gurgel (PL).

O único integrante da atual bancada que não disputa novamente uma cadeira na Câmara é Acácio Favacho (MDB), que decidiu concorrer ao Senado.

Para os demais, a eleição representa uma tentativa de transformar o mandato atual em mais quatro anos de atuação no Congresso.

Eleição também coloca nomes conhecidos no caminho
A disputa, porém, não será formada apenas por quem já ocupa uma cadeira.

Entre os nomes que tentam voltar ao cenário nacional estão o ex-governador e ex-deputado federal Camilo Capiberibe e Fátima Pelaes, que já exerceu cinco mandatos na Câmara.

Também aparece na lista Kleber Karipuna, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), ampliando a presença de representantes indígenas na disputa.

Com isso, o eleitor amapaense encontrará nas urnas uma mistura de parlamentares que querem permanecer, políticos experientes que buscam retornar e novos nomes tentando conquistar espaço.

Metade da bancada atual surgiu após mudança nos votos de 2022
Outro detalhe torna esta eleição diferente no Amapá.

A atual composição da bancada federal só foi definida de forma definitiva em junho de 2025, depois que o Tribunal Regional Eleitoral fez uma nova totalização dos votos de 2022,mudança no cálculo das sobras eleitorais.

O resultado alterou quatro das oito cadeiras. André Abdon, Aline Gurgel, Marcivânia Flexa e Paulo Lemos passaram a integrar a bancada após a retotalização, enquanto Josenildo, Vinicius Gurgel, Acácio Favacho e Dorinaldo Malafaia permaneceram nos cargos.

Ou seja: metade dos deputados que hoje representam o Amapá em Brasília chegou à atual composição depois de uma revisão do resultado da eleição anterior.

Macapá terá peso decisivo
A força da capital também deve ser determinante na disputa.

O Amapá tem 577.534 eleitores aptos a votar em 2026, e 321.591 estão em Macapá. Isso significa que aproximadamente 56% do eleitorado estadual está concentrado na capital.

Santana aparece na sequência, com 86.030 eleitores.

Na prática, conquistar votos em Macapá pode fazer grande diferença para quem pretende alcançar uma das oito cadeiras.

O desafio de conquistar uma cadeira
Apesar de ter a menor relação de candidatos por vaga do país, a eleição amapaense apresenta uma característica que pode pesar muito no resultado: há pouca renovação entre os atuais ocupantes.

Sete deputados decidiram disputar novamente o cargo. Ao mesmo tempo, nomes conhecidos e novos candidatos precisam convencer o eleitor de que chegou a hora de mudar a representação do Estado em Brasília.

No fim das contas, serão oito cadeiras e dezenas de projetos políticos disputando o mesmo espaço. Para o eleitor, a escolha não será apenas sobre quem entra ou quem permanece, mas sobre quem terá mais quatro anos para representar o Amapá no Congresso Nacional.

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