O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi escolhido para representar e transmitir as decisões de Jair Bolsonaro durante as discussões internas do PL sobre a eleição presidencial de 2026. A definição ocorreu após uma reunião tensa realizada na noite desta segunda-feira (24/11), em Brasília, que contou com a presença do presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do vereador carioca Carlos Bolsonaro, do líder da bancada na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), além de mais de 50 deputados da legenda.
O encontro foi dominado pelo tema que abalou o núcleo bolsonarista: a prisão do ex-presidente, detido no sábado depois de tentar violar a tornozeleira eletrônica que lhe garantia prisão domiciliar. Michelle relatou, emocionada, a visita que fez ao marido na sede da PF, chegando às lágrimas ao falar sobre a situação.
Flávio também comentou a vigília convocada por ele na porta da casa de Jair Bolsonaro, ato que, segundo parlamentares, aumentou a tensão e antecedeu a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de determinar a prisão.
Deputados presentes afirmam que Flávio agora será responsável por comunicar à direção do PL as posições de Jair Bolsonaro sobre estratégias e alianças para 2026. Isso, porém, não significa que o senador será candidato, nem à Presidência nem a uma composição com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Anistia volta ao centro da disputa
Durante a reunião, Sóstenes Cavalcante classificou a prisão de Jair Bolsonaro como “absurda” e defendeu que o Congresso precisa reagir. Segundo ele, a bancada seguirá atuando “dentro da legalidade” para proteger o que considera serem liberdades ameaçadas.
A resposta prática defendida por Sóstenes é pressionar pela votação do projeto de anistia aos investigados e condenados pelos episódios classificados pelo STF como tentativa de golpe, incluindo o próprio ex-presidente, o deputado Alexandre Ramagem, militares e manifestantes envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
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