A novela da BR-319 ganhou um capítulo explosivo nesta terça-feira (28). A juíza Mara Elisa Andrade, da Justiça Federal do Amazonas, suspendeu os editais de licitação para as obras do “trecho do meio” da rodovia, que liga Manaus a Porto Velho. A decisão, que atende a uma ação civil pública do Observatório do Clima, interrompe por 70 dias os pregões eletrônicos do Dnit que estavam previstos para amanhã (29) e quinta-feira (30).
A magistrada fixou uma multa pesada de R$ 1 milhão em caso de descumprimento, incidindo diretamente sobre o patrimônio pessoal do agente público responsável. No centro da suspensão está a polêmica classificação da obra: o Dnit tentou enquadrar o asfaltamento como “simples manutenção” para dispensar o licenciamento ambiental, manobra que a juíza considerou irregular diante do “significativo impacto ambiental” na Floresta Amazônica.
Grito dos políticos
A suspensão caiu como uma bomba no tabuleiro político amazonense, provocando reações imediatas e acusações de “vigarice” e “teatro eleitoral”. A bancada federal, que articulou a Lei nº 15.190/2025 para tentar blindar a obra, reagiu com indignação.
Wilson Lima: “Lamento e retrocesso”
O governador Wilson Lima lamentou profundamente a decisão judicial, classificando-a como um entrave ao desenvolvimento socioeconômico do Amazonas. Para o governador, a interrupção dos editais ignora o apelo logístico da população e mantém o estado isolado, prejudicando o escoamento de produtos e o acesso a serviços básicos. Wilson reforçou que o Estado continuará articulando junto ao Governo Federal para que a pavimentação seja tratada como prioridade nacional.
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Eduardo Braga (MDB): “Não dá para aceitar que essa gente que não vive aqui decida o nosso futuro.”
Omar Aziz (PSD): “Espero que a Justiça tenha a sensibilidade de entender a importância da BR-319 para o povo amazonense.”
Plínio Valério (PSDB): Elevou o tom contra as entidades ambientalistas: “Denunciamos isso na CPI das ONGs. Essas entidades saqueiam o Amazonas e trabalham para nos oprimir e isolar.” Plínio ainda provocou os colegas: “Gostaria que todos que hoje se posicionam tivessem feito o mesmo nos últimos sete anos.”
Amom Mandel: “Irresponsabilidade e Mau Caratismo”
O deputado federal Amom Mandel (Cidadania) adotou uma postura crítica aos colegas locais. Para ele, a suspensão confirma que os anúncios recentes foram “licitações eleitoreiras”.
“Essa decisão é a comprovação da irresponsabilidade e do mau caratismo dos políticos locais. Chega perto da eleição, acham uma decisão mirabolante, mas a Justiça embarga porque não houve seriedade. Se o asfalto chegar sozinho, o crime chega antes do cidadão”, disparou Amom, defendendo que a obra precisa vir acompanhada de Polícia Federal e Ibama.
Marcelo Ramos: “Vigarice e Cinismo”
O ex-deputado Marcelo Ramos (PT) partiu para o ataque direto contra a chapa do PL. Ramos chamou a luta atual de “vigarice” e poupou apenas o Governo Federal.
“É impressionante o cinismo. Alberto Neto e Plínio Valério passaram 4 anos no governo Bolsonaro, que não asfaltou nada e deixou pontes caírem, e comeram abiu. Sobre Maria do Carmo, em 66 anos de vida nunca havia falado de BR-319 até virar candidata. Quem vai entregar essa obra é o presidente Lula”, afirmou.
O Poder procurou os citados por Ramos. Maria do Carmo e Plínio Valério informaram que não iriam se posicionar sobre as críticas do petista.
De olho na eleição
Segundo o especialista político Luiz Carlos Marques, a suspensão da BR-319 a exatos seis meses da eleição retira o “trunfo” imediato dos políticos que prometiam máquinas na pista ainda este semestre. A decisão da juíza Mara Elisa trava um investimento de R$ 678 milhões e joga o debate para o campo da segurança jurídica.
O que se vê agora é uma corrida para encontrar um culpado: enquanto uns culpam as ONGs e a “mão invisível” de Marina Silva, outros apontam o dedo para a falta de planejamento técnico das gestões passadas e atuais. No fim, o isolamento do Amazonas continua sendo a principal moeda de troca eleitoral de 2026.