A candidata indígena ao Senado por Rondônia, Neidinha Suruí, do PSB, denunciou estar sofrendo pressões políticas para desistir da candidatura e afirmou que pretende recorrer às autoridades caso as tentativas de interferência continuem.
Segundo as informações divulgadas por apoiadores da candidata, a candidatura teria sido alvo de uma decisão da direção nacional do PSB, presidida pelo ex-prefeito do Recife, João Campos, gerando reações entre setores ligados à defesa dos direitos das mulheres, dos povos indígenas, do meio ambiente e dos direitos humanos.
Neidinha afirma que existe uma articulação para pressionar candidaturas que já foram aprovadas em convenção partidária. Diante da situação, ela declarou que não pretende abrir mão da disputa e que poderá buscar a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral para denunciar eventuais irregularidades.
A candidata tem atuação na defesa da Amazônia, dos povos indígenas, dos direitos humanos e da proteção ambiental. Ela também é mãe da ativista indígena Txai Suruí, conhecida por sua atuação em pautas relacionadas aos povos indígenas e às mudanças climáticas.
REAÇÃO
A possibilidade de suspensão da candidatura provocou manifestações de solidariedade nas redes sociais e entre diferentes segmentos da sociedade. Artistas, ambientalistas, integrantes do meio acadêmico e mulheres ligadas a diferentes partidos políticos passaram a se posicionar em defesa da permanência de Neidinha na disputa.
Os apoiadores classificam as pressões como uma tentativa de limitar a participação política feminina e indígena. Também passaram a associar o episódio ao debate sobre violência política de gênero, especialmente quando mulheres são constrangidas ou pressionadas em razão de sua atuação política.
A legislação brasileira prevê punições para práticas de violência política contra a mulher, incluindo ações destinadas a impedir ou dificultar o exercício de direitos políticos por motivo de gênero.
DISPUTA PARTIDÁRIA

A situação também colocou em evidência a relação entre decisões das direções partidárias e candidaturas construídas nos estados. Enquanto a direção nacional do partido é apontada como responsável pela suspensão, aliados de Neidinha defendem que uma candidatura aprovada em convenção deve ser respeitada.
Para os apoiadores, o episódio não representa apenas uma disputa interna do partido, mas também envolve a participação de mulheres indígenas nos espaços de decisão política.
Neidinha, por sua vez, reafirmou que continuará defendendo sua candidatura e declarou que não aceitará qualquer tentativa de coerção ou intimidação.
O caso poderá avançar para as esferas partidária e judicial, caso a candidata formalize as denúncias anunciadas. Até o momento, as acusações apresentadas por Neidinha e seus apoiadores ainda dependem de apuração e eventual comprovação pelas autoridades competentes.