O jornalista que assina a matéria “Caixa-preta: pagamentos para sites não possuem critérios técnicos transparentes”, publicada neste fim de semana pelo portal RealTime1, divulgou um vídeo nas redes sociais explicando como o levantamento foi feito. Segundo ele, os dados foram retirados diretamente do Portal da Transparência da Prefeitura de Manaus, por meio de um trabalho minucioso que levou mais de uma semana.
A reportagem revelou que 165 sites, blogs e portais receberam, juntos, R$ 6.474.000,00 entre os dias 14 de fevereiro e 1º de abril de 2025, a título de divulgação de campanhas publicitárias da Prefeitura. Os valores pagos representam quase 15% (14,7%) do total gasto pelo Executivo municipal no período.
A publicação gerou forte reação da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom), que classificou a matéria como “falsa” e acusou o veículo de disseminar fake news. A nota oficial divulgada pela pasta afirma que a gestão municipal está à disposição para esclarecer dúvidas e defende que informações devem ser apuradas com base em fontes seguras.
Em resposta, o jornalista rebateu:
“Nosso material foi todo feito em cima do Portal da Transparência. É uma base pública. Gravamos toda a tela e documentamos o passo a passo para mostrar que os dados estão disponíveis no próprio sistema da Prefeitura.”
Ele detalhou o processo: para descobrir os repasses, foi necessário identificar as agências licitadas para fazer a intermediação dos pagamentos a sites e blogs. A partir disso, foi feito um cruzamento com as ordens de pagamento (OCs) e autorizações de pagamento (APIs) disponíveis no sistema.
Um dos exemplos citados é o do site Banzeiro News, que recebeu R$ 23.297,06 para divulgar, por três dias, a campanha “Educação Presente” em março de 2024. O mesmo portal também recebeu R$ 10.788,00 por uma campanha sobre a “Coleta de Grandes Objetos” e mais R$ 10.757,12 pela campanha “Maio Laranja”, ambas também realizadas em 2024.
Segundo o jornalista, o foco da matéria não é quem recebeu mais ou menos, mas a ausência de critérios técnicos claros para a escolha dos veículos:
“A Prefeitura deveria contratar portais com engajamento e audiência relevante, já que está lidando com verba pública e campanhas que precisam alcançar a população.”
Além disso, ele lembrou que desde 2021 o portal já tentava acessar essas informações, inclusive por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Um pedido foi protocolado na época, mas os dados demoraram a aparecer de forma sistematizada. A crítica, segundo ele, vem de longa data.
Por fim, o jornalista questionou diretamente a secretária de Comunicação do município, Camila, sobre a acusação de inverdades:
“Onde estão as informações falsas? Tudo o que publicamos está no Portal da Transparência, site público da Prefeitura. Fizemos o trabalho de consolidar o que estava fragmentado e pouco acessível.”
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