Ex-prefeito de Bonfim (RR) é investigado pela PF por uso de “laranja” em contratos milionários

Ex-prefeito de Bonfim (RR) é investigado por supostas irregularidades em contratos milionários com a prefeitura.
Redação O Poder
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O ex-prefeito de Bonfim, Joner Chagas (Republicanos), atual presidente da Associação dos Municípios de Roraima (AMR), é investigado pela Polícia Federal (PF) por supostamente usar a empresária Mariângela Moletta como intermediária em contratos milionários firmados com a prefeitura. Mariângela, o marido e a filha foram presos em flagrante, em Boa Vista, com R$ 510 mil em dinheiro vivo, suspeitos de envolvimento em lavagem de dinheiro.

Em nota, Chagas disse estar “tranquilo”, garantiu confiar na Justiça e afirmou que pretende provar sua inocência:
“Tenho certeza que a verdade prevalecerá. Sempre pautei minhas ações com transparência e respeito à lei”, declarou.

A Prefeitura de Bonfim também se manifestou e alegou que todos os contratos seguem os ritos legais. A gestão afirmou atuar “com transparência, responsabilidade e zelo pelo recurso público” e reforçou confiança no esclarecimento dos fatos.

Segundo documentos obtidos pela investigação, a PF recebeu denúncia anônima sobre um saque elevado que seria feito pela empresária. O trio foi monitorado em uma agência bancária da capital roraimense e abordado após a movimentação suspeita. Questionados sobre o dinheiro, disseram que seria utilizado para pagamento de funcionários e aluguel de máquinas, mas não souberam indicar os fornecedores que receberiam os valores em espécie.

Além da prisão, a PF solicitou à Justiça a suspensão das atividades da Construtora Prosolo Ltda., empresa de Mariângela, e o bloqueio de um empenho de R$ 5 milhões referente a contrato de manutenção de estradas vicinais assinado em 2024, último ano de gestão de Joner Chagas. A corporação investiga possíveis crimes de lavagem de dinheiro, fraude em licitação, corrupção ativa e associação criminosa.

Indícios de empresa de fachada

A Prosolo, registrada em Boa Vista, apresenta sinais de abandono no imóvel que deveria sediar suas operações. Durante vistoria, a PF constatou mato alto, cerca elétrica danificada e imóvel desocupado, reforçando indícios de que a construtora funcione apenas como fachada.

Conversas comprometedoras

Mensagens de celular analisadas pela polícia sugerem que Joner Chagas orientava Mariângela sobre movimentações financeiras e pagamentos, determinando valores e destinatários. Há indícios de que parte do dinheiro chegou até familiares de servidores ligados a licitações em Bonfim.

Em outro diálogo, o ex-prefeito teria instruído ajustes em medições de estradas para simular serviços não executados, além de se colocar como “dono” de uma ata de registro de preços, que poderia ser replicada em outros municípios para aumentar o faturamento da empresa.

Momentos antes da prisão, conversas revelam que Chagas pedia transferências de valores específicos para contas distintas, reforçando a suspeita de participação direta na gestão dos recursos.

A investigação segue em andamento, e a defesa da empresária Mariângela ainda não se pronunciou.

Carregar Comentários