O município de Pimenteiras do Oeste, localizado no sul de Rondônia, com apenas 2.156 habitantes e cerca de 500 domicílios, enfrenta uma realidade que contrasta fortemente com os números registrados na Câmara Municipal. Somente neste ano, os vereadores já gastaram quase R$ 300 mil em diárias, passagens e outras despesas administrativas.
Enquanto os cerca de 600 trabalhadores formais do município recebem, em média, R$ 1.500,00 por mês, os nove vereadores desfrutam de salários e benefícios muito acima da média local.
O presidente da Câmara, Armindo Leite, por exemplo, recebe R$ 6.900,00 de salário, além de R$ 1.400,00 de auxílio-alimentação, totalizando R$ 8.300,00 mensais — praticamente o equivalente a cinco vezes o salário médio de um trabalhador pimenteirense.
Os demais parlamentares também contam com remunerações elevadas. O primeiro secretário ganha R$ 6.600,00, o segundo secretário, R$ 6.300,00, e os demais vereadores, R$ 6.100,00. Todos recebem igualmente o auxílio-alimentação de R$ 1.400,00, o que eleva o menor vencimento para R$ 7.500,00.
De fevereiro a setembro de 2025, os gastos da Câmara chegaram a R$ 248.903,33, sendo R$ 214.350,00 em diárias (entre vereadores e servidores) e R$ 34.553,33 em passagens aéreas e terrestres.
O presidente Armindo Leite lidera o ranking dos mais gastadores, com R$ 28.350,00 em diárias, seguido por Denner Winderson (R$ 23.650,00) e Irene Alves (R$ 20.900,00).
Na sequência aparecem Jean Cesar (R$ 20.550,00), Jorgiano Garcia (R$ 19.250,00), Alan dos Santos (R$ 18.300,00), Jesus Reginaldo (R$ 13.150,00), Letícia Fernanda (R$ 12.250,00) e Roberto Cavalcante (R$ 9.250,00).
Somente os vereadores foram responsáveis por R$ 165.850,00 — o equivalente a 78% de todos os gastos com viagens da Câmara.
Os números chamam atenção diante da realidade socioeconômica de Pimenteiras do Oeste, o menor município de Rondônia. A cidade depende, em grande parte, de repasses estaduais e federais para custear serviços básicos, como saúde, educação e infraestrutura.
Enquanto isso, os trabalhadores locais, em sua maioria empregados na agricultura, comércio e serviços gerais, seguem convivendo com uma renda modesta, distante da realidade financeira de seus representantes.