Denúncia aponta possível empresa fantasma responsável pela nova roda-gigante da Ponta Negra
A recém-inaugurada roda-gigante da Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus, já nasce cercada por polêmicas. Uma denúncia do site Radar Amazônico revelou suspeitas graves sobre a empresa Wheel Manaus, responsável pela instalação e operação da atração turística.
De acordo com documentos consultados na Receita Federal, a empresa foi criada em 18 de novembro de 2025, há menos de uma semana e apenas dois dias antes de vir à tona a controvérsia envolvendo a contratação. Registrada em nome de Jean Marcos Praia Rocha, a Wheel Manaus possui capital social declarado de R$ 300 mil e está sediada no bairro São José Operário, na Zona Leste.
Sem contrato publicado e com endereço duvidoso
A investigação identificou que nenhum contrato, extrato ou qualquer referência à empresa aparece no Diário Oficial do Município ou no Portal da Transparência, o que tem levantado dúvidas sobre a legalidade dos trâmites. Especialistas consultados afirmam que a ausência de publicidade fere princípios básicos da administração pública e impede o controle social.
A gestão do prefeito David Almeida já soma mais de 70 dispensas de licitação apenas em 2025, número considerado alto por analistas e que reforça as suspeitas sobre possíveis irregularidades. A jornalista Any Margareth, que acompanha o caso, afirmou que o volume de documentos e indícios é significativo. “É um calhamaço de papel que vocês não fazem ideia”, disse.
Para verificar se a empresa realmente existe no endereço registrado, uma equipe do site Imediato e O Poder estiveram no local e encontraram um ‘terreno abandonado’.
Inaugurada no feriado, roda-gigante é alvo de críticas pelo preço do ingresso
A atração turística foi inaugurada nesta quinta-feira (20), durante a segunda edição da Parada Natalina. Com 18 cabines e vista panorâmica da orla da Ponta Negra, a roda-gigante chamou atenção pelo apelo visual, mas também pelo custo considerado elevado.
Segundo trabalhadores do local, o valor inicial do ingresso gira em torno de R$ 40, o que provocou forte insatisfação entre frequentadores. A Prefeitura afirma que a instalação não gerou gastos públicos por se tratar de empreendimento privado, mas ainda não divulgou oficialmente o preço final nem o horário de funcionamento.
População questiona acessibilidade: “Quem vai conseguir pagar?”
Com o aumento da movimentação devido ao feriado da Consciência Negra, moradores criticaram o valor da atração.
A professora Lidiane, que esteve no local, afirmou que o preço impede o acesso de parte da população. “Eu não tenho R$ 40 para gastar. Fica a pergunta: quem vai usufruir? Quem vai conseguir pagar?”
Já a visitante Jayane, também professora, lamentou que o valor contrarie o caráter público da Ponta Negra. “É inacessível. Muitas famílias têm mais de um filho e não vão ter condições. É triste, porque deveria ser para todos.”
Apesar das críticas, a inauguração atraiu grande público e deve continuar movimentando o complexo durante o período natalino.
Próximos passos
O episódio combina dois pontos de tensão: A suspeita de falta de transparência na contratação da empresa responsável pela atração; O debate sobre a acessibilidade financeira da roda-gigante recém-inaugurada.
A reportagem segue acompanhando as investigações e aguarda manifestação da Prefeitura de Manaus.
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