A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (26), uma operação que mira o ex-prefeito de Bonfim, Joner Chagas, de 51 anos. Ele é apontado como um dos articuladores de um esquema de irregularidades em licitações e desvio de recursos destinados à recuperação de estradas vicinais no interior de Roraima. As investigações estimam que mais de R$ 40 milhões tenham sido movimentados de forma ilegal.
A ação, batizada de Operação Déjà Vu, cumpriu sete mandados de busca e apreensão em endereços situados em Boa Vista e Bonfim. A PF iniciou as apurações em setembro, depois que três pessoas foram presas em flagrante na capital enquanto tentavam sacar mais de R$ 510 mil em espécie, quantia considerada incompatível com movimentações regulares.
Em nota, o ex-prefeito afirmou que a Polícia Federal “cumpre seu papel institucional” e declarou estar confiante na própria inocência. Segundo ele, “a verdade prevalecerá no curso do processo”, reforçando que continuará atuando politicamente e que sempre pautou sua vida pública na legalidade.
A gestão municipal informou que não é alvo da operação e garantiu estar à disposição dos órgãos de controle. A prefeitura reiterou o compromisso com a transparência e o uso responsável dos recursos públicos.
Medidas adotadas pela PF
Como parte da operação, foi determinado o bloqueio de bens acima de R$ 2 milhões, além da suspensão imediata do contrato firmado com a empresa investigada. Documentos e materiais foram apreendidos para ampliar a apuração dos fatos.
Como funcionaria o esquema
De acordo com a PF, Joner Chagas seria o responsável por comandar um grupo que utilizava uma empresa de fachada para fraudar contratos de obras públicas. A corporação aponta que:
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a empresa recebeu mais de R$ 40 milhões em contratos;
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não possuía estrutura técnica ou operacional compatível com os serviços contratados;
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foram identificadas medições falsas, movimentações financeiras suspeitas e a participação de uma empresária que atuaria como “testa de ferro” para ocultar o vínculo do ex-prefeito com os recursos.
O grupo é investigado pela prática de crimes como fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
A PF destacou que os desvios vieram à tona a partir da prisão do trio que transportava o dinheiro em setembro, o que levou à ampliação das investigações sobre contratos firmados para manutenção de estradas no município.
*Com informações de G1*
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