O plenário do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) voltou a ser palco de um embate ríspido nesta terça-feira (24/03). O conselheiro Ari Moutinho Júnior subiu o tom contra o colega Luís Fabian Barbosa, em uma troca de farpas que paralisou a sessão. Moutinho acusou Fabian de manter uma “relação promíscua” com fornecedores da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-AM), pasta que o conselheiro já comandou no passado.
A discussão aconteceu depois da presidente da Corte, a desembargadora Yara Lins, anunciar a autorização para o afastamento da secretaria de educação, Arlete Mendonça. Visivelmente exaltado, Moutinho Jr. não poupou adjetivos ao criticar a atuação de Luís Fabian na fiscalização das contas educacionais.
“A atuação do conselheiro Luís Fabian é uma vergonha junto à educação. Ele está sempre dos dois lados da mesa: assina contrato com o Ibeu e agora quer fiscalizar a Seduc? Esse rapaz não tem moral, não tem pudor”, disparou Moutinho.
Pedido de afastamento
O conselheiro foi além e solicitou à presidência o afastamento imediato de Luís Fabian de qualquer relatoria ou fiscalização ligada às contas da Seduc. Segundo Moutinho, Fabian manteria laços estreitos com empresas que prestam serviços ao Estado, citando inclusive que o colega teria “somado no Carnaval pago por fornecedores da Seduc”.
Em resposta, Luís Fabian Barbosa tentou manter a calma, embora tenha sido interrompido diversas vezes.
“Falácias não são suficientes para me deslegitimar da minha função constitucional”, rebateu Fabian, afirmando que não buscaria “plateia” para responder a “impropérios”.
Histórico de conflitos
A briga desta terça-feira é o novo capítulo de uma crise que se arrasta desde fevereiro. Na ocasião, Ari Moutinho já havia causado polêmica ao afirmar que a Seduc deveria sofrer intervenção da Polícia Federal e que os três últimos gestores da pasta — incluindo Luís Fabian e as secretárias Kuka Chaves e Arlete Mendonça — “deveriam estar presos”.
Moutinho classificou iniciativas recentes da pasta, como o Pacto pela Educação, como uma “verdadeira desfaçatez” e um “cinismo”, rotulando os gestores de “assaltantes do dinheiro público” e “canalhas”. Na época, ele chegou a desafiar Fabian a quebrar seus sigilos fiscal e telefônico para provar que não possui relações indevidas com o setor privado.