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O governador de Roraima (RR) Antonio Denarium (PP) foi o entrevistado do Conversa Política, com o jornalista Álvaro Corado, que estreou este último domingo (17) no site O Poder e outras plataformas do Rede Norte Digital.
Denarium foi reeleito em 2022 no primeiro turno, com mais de 155 mil votos e vem para um segundo mandato com a experiência de ter enfrentado a crise migratória dos venezuelanos, o que impactou diretamente Roraima.
O estado faz fronteira com o país que alcançou o 1° lugar no ranking das populações mundiais desassistidas em duas necessidades básicas. A Venezuela, de acordo com o Banco Mundial e Encovi, tinha 94,5% de sua população em tais condições.
“Desde o início da migração já entraram no Brasil 903 mil venezuelanos e 80 A 90% dos venezuelanos entraram por Roraima. A única porta de entrada no Brasil, [via] terrestre é por Roraima e desses 903 mil venezuelanos que estão esparramados por todo o Brasil, nós temos, aproximadamente, vivendo no nosso estado, 150 mil venezuelanos”, disse o governador de Roraima.
O governador disse que entrou com uma Ação no STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo a restituição das despesas que o estado vem adquirindo com os venezuelanos e o STF entendeu que Roraima deve ser reembolsada em 50% dos gastos adquiridos. Porém em junho, segundo Antonio Denarium, a União contestou e não reconhece o esforço é atuação do estado de Roraima na crise humanitária, com sua máquina pública sendo utilizada e dinheiro público estadual sendo utilizado para atender venezuelanos.
“Os nossos hospitais hoje, as maternidades, em torno de 30% a 40% dos atendimentos são feitos para venezuelanos. Nós temos aproximadamente 20 mil alunos, filhos de venezuelanos nas nossas escolas estaduais, nós temos também hoje 430 venezuelanos cumprindo pena no sistema prisional, já foram condenados pela justiça brasileira. Enfim, eles estão no mercado de trabalho também contribuindo para o crescimento do nosso Estado, mas deixam um custo muito grande para o Estado de Roraima” disse Denarium.
Segundo o governador, mesmo com a Operação Acolhida, do Ministério da Defesa (MD), 7 a 9 mil abrigados ainda utilizam os serviços públicos de responsabilidade do estado de Roraima
“Hoje nós temos, aproximadamente na operação acolhida, de 7 a 9 mil venezuelanos abrigados, recebendo alimentação, moradia do Governo Federal, mas no estado de Roraima nós temos 150 mil venezuelanos. 9 mil estão abrigados, mas esses 9 mil obrigados, precisam também de quê, precisam de atendimento de saúde, tem a maternidade para atender, têm cirurgias eletivas e emergenciais e, também tem a educação e, também, tem o atendimento social que o governo do estado faz para famílias venezuelanas que vivem aqui, ou seja, tem um custo muito elevado e nós não estamos recebendo o apoio necessário do governo federal para o governo do estado, os recursos são destinados para a operação acolhida” contestou Antonio Denarium.
O governador de Roraima explicou que agora articula com a bancada em Brasília e espera que o governo federal reconheça os gastos do estado com uma crise, da ossada da União, e que Roraima ainda continua acolhendo e abrigando venezuelanos.
“Nós vamos trabalhar agora junto com a nossa bancada Federal com a presidência da república, com Advocacia Geral da União para demonstrar o custo que nós temos em saúde, Segurança Pública, infraestrutura no Social, para demonstrar para União o custo que o estado tem e a União também não pode esquecer que a Venezuela faz divisa com Brasil, a Venezuela, ela não só faz divisa com com estado de Roraima. E o governo do Estado de Roraima precisa de apoio do governo federal para manter o abrigamento e acolhida dos venezuelanos no nosso estado”, disse o governador de Roraima.
Antonio Denarium também falou dos esforços para enfrentar uma crise humanitária em um país vizinho, que vem afetando Roraima e se desenvolver ao mesmo tempo.
“E como nós estamos suportando essa carga, esse peso, devido ao crescimento economico do Estado de Roraima? Com geração de emprego, aumento de arrecadação, atração de investimentos, valorizando todos aqueles que aqui estão e atraindo novos investidores. O estado cresce, desenvolve e consegue ir pagando essa despesa, que ela não é só nossa, é dos venezuelanos também e do governo federal” concluiu o governador.